Natalenses estão alerta aos riscos de mamadeiras com BPA

Na quinta-feira passada (15), a Anvisa anunciou prazos para venda de produtos com bisfenol A na composição. Substância pode provocar doenças graves.

Silvia Ribeiro Dantas,
Foto: Geraldo Miranda
A partir do dia 1º de janeiro do próximo ano, as mamadeiras comercializadas em todo o Brasil não poderão ter a substância bisfenol A (BPA). A medida anunciada na quinta-feira (15) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não deverá ter grandes consequências para as lojas especializadas em artigos infantis de Natal, uma vez que a maioria desses estabelecimentos praticamente não vende mais produtos com a substância na composição.

O BPA está presente em produtos feitos de policarbonato, tipo de plástico rígido e transparente, bastante utilizado na fabricação de mamadeiras e as principais alternativas são os recipientes de vidro ou polipropileno. Com a decisão da Anvisa, os fabricantes terão três meses para deixar de produzir as mamadeiras contendo bisfenol e a venda dos produtos só poderá ser realizada até 31 de dezembro de 2011.

A gerente de uma loja do setor localizada na avenida Prudente de Morais, Sandra Santos, explica que a conscientização acerca dos riscos do BPA tem deixado os pais que visitam o estabelecimento mais alerta aos componentes dos produtos utilizados na fabricação das mamadeiras. Ela estima que a mudança de comportamento teve início nos primeiros meses deste ano.
Fotos: Geraldo Miranda

“Faz mais ou menos seis meses que as pessoas começaram a procurar sempre mamadeira livre de BPA e hoje só vendemos produtos assim. Estão comprando bastante as de vidro e agora temos também uma feita de silicone”, detalha.

Para ajudar os pais a reconhecer o melhor produto, Sandra explica que as mamadeiras de plástico que são livres do BPA costumam ser foscas. Entretanto, o mais indicado é procurar informações na embalagem, já que algumas marcas começam a produzir recipientes transparentes, que parecem agradar mais aos olhos dos consumidores.

Em relação ao custo, a gerente afirma que os preços das mamadeiras livres de BPA são semelhantes aos praticados quando o mais comum era a fabricação com policarbonato. Para ela, como as marcas sempre apostam em produtos de boa qualidade, o preço varia pouco independente do material utilizado na composição.

Decisão da Anvisa pretende reduzir riscos à saúde
A iniciativa da Anvisa busca evitar a ingestão do BPA por bebês, porque altera o funcionamento das células e hormônios, podendo provocar doenças graves, incluindo diferentes formas de câncer. A substância também simula a ação do hormônio estrogênio, o que pode desequilibrar o sistema endócrino do indivíduo, acelerando o início da puberdade.

De acordo com nota divulgada pela entidade, as crianças até 12 meses são as maiores vítimas potenciais, porque o organismo não é capaz de eliminar a substância durante o primeiro ano de vida.

Para decretar a mudança, a agência se baseou em estudos recentes que apontam riscos decorrentes da exposição à substância, mesmo em níveis inferiores aos que atualmente são considerados seguros. "A decisão da Anvisa está baseada em estudos recentes que apontam riscos decorrentes da exposição ao BPA, mesmo quando essa exposição ocorre em níveis inferiores aos que atualmente são considerados seguros”, diz a nota.
Foto: Geraldo Miranda

A agência também informa que a proibição está alinhada a medidas já adotadas em locais como Canadá, Estados, além de países da União Européia. Além disso, nos países que integram o Mercosul, a eliminação do BPA em mamadeiras e artigos similares destinados à alimentação de lactentes está sendo discutida e iniciativa semelhante deverá ser tomada em breve.

Cuidados podem minimizar ingestão da substância
Uma medida simples, que diminui a exposição ao BPA é não utilizar o forno microondas para esquentar embalagens de plástico contendo bebidas ou alimentos, uma vez que a substância é liberada em maior quantidade quando o material é aquecido.

O consumo de bebidas e alimentados enlatados também deve ser evitado, pois o bisfenol é utilizado como resina, para revestimento interno dos recipientes.

Para o armazenamento de alimentos, o mais recomendado é dar preferência a embalagens de vidro, porcelana e aço inox, evitando principalmente a utilização de embalagens plásticas com os símbolos de reciclagem 3 (V) e 7 (PC), porque podem ter a substância na composição.
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