Presos de facções rivais ficarão no Pavilhão 5 de Alcaçuz

Detentos dos pavilhões 1, 2 e 3 estão sendo transferidos para obras de recuperação das unidades.

Walfrido Tampa,
Fladson Soares/Arquivo/Nominuto.com
Detentos que estavam nos pavilhões 1, 2 e 3, ligados ao Sindicado do Crime, ficarão reunidos na mesma unidade onde estão os presos do PCC.

O governo deu início nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (20) à transferência dos presos que estavam nos Pavilhões 1, 2 e 3 da Penitenciária Estadual de Alcaçuz para o Presídio Rogério Coutinho Madruga, também conhecido como o Pavilhão 5. O Pavilhão 4 segue desativado desde o confronto entre detentos que resultou em 26 mortes, no mês de janeiro deste ano.

A movimentação acontece para que sejam realizadas as obras de recuperação das unidades depredadas e deve durar cerca de um mês.

Com a medida, cerca de 1.100 presidiários de facções rivais ficarão em uma mesma unidade. O Pavilhão 5, possui aproximadamente 460 detentos, sendo a maior parte ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Já a maioria dos demais presidiários que estavam nos outros três pavilhões possuem vínculos com o Sindicato do Crime do RN (SRN).

Para evitar novos confrontos, a Secretaria de Justiça e da Cidadania (Sejuc) informou que todos os detentos serão separados por alas, de acordo com a afinidade aos grupos criminosos. A Sejuc também irá reforçar a segurança dentro da unidade.

No dia 14 de janeiro, integrantes do PCC que estavam no pavilhão 5 invadiram o pavilhão 4 e promoveram um massacre contra os membros do SRN, com 26 mortes confirmadas pelo governo.

Após o massacre, o governo instalou contêineres separando os pavilhões e impedir que os grupos criminosos entrassem em novos confrontos. Posteriormente, um muro com blocos de concreto substituíram a provisão inicial.

O governo divulgou uma nota explicando as razões da ação. Confira:

Em relação à ação realizada na manhã desta segunda-feira (20) na Penitenciária de Alcaçuz, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte esclarece:

A ação de hoje é uma continuação do trabalho que já se iniciou em janeiro, com a retomada do Pavilhão 5 (presídio Rogério Coutinho Madruga) pelas Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), sob coordenação e apoio do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN);

Os presos ficarão temporariamente no Pavilhão 5. Essa medida já estava prevista desde o início da retomada, para que as ações de manutenção predial sejam realizadas com maior agilidade. E logo que os pavilhões 1, 2 e 3 estejam em condições adequadas, os mesmos voltarão aos pavilhões de origem;

O contingente de agentes federais e estaduais e de policiais que atuam hoje em Alcaçuz é suficiente para manter a ordem e a segurança local;

Os internos que ficarão no Pavilhão 5 estarão devidamente separados, sem ter qualquer contato, inclusive visual;

Até o final da semana, em decorrência da Ação Justiça e Cidadania promovida pelo Depen com a participação do Estado, todos os internos dos pavilhões 1, 2 e 3 terão atendimento de assessoria jurídica, pela Defensoria Sem Fronteiras que conta com defensores de vários Estados e do Rio Grande do Norte, assistência para retirada documental, assistência a saúde e ouvidoria. Assim como os detentos do Pavilhão 5 tiveram na última semana;

A condição de superlotação no Pavilhão 5 é temporária, e necessária para que sejam feitos os serviços de manutenção predial o mais breve possível;

As equipes de ouvidoria do Depen e da Sejuc estão acompanhando toda a ação;

A Sesed instalou o Gabinete de Gestão Integrada (GGI) e está monitorando Alcaçuz por várias vias, inclusive com a Plataforma de Observação Elevada (POE) no local.

É importante ressaltar que o procedimento realizado em Alcaçuz é necessário para a restauração das estruturas físicas do presídio e restruturação da rotina penitenciária e está sendo conduzido com todos os cuidados para garantir a integridade dos presos, dos agentes de segurança e da sociedade em geral.

Tags: Alcaçuz Crise sistema prisional Segurança Pública
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