Quatro detentos são mortos em nova rebelião em presídio de Manaus

Corpos de presos foram achados decapitados na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.

Da redação, Com agências,
Divulgação/Amazonas
Presos passam por revista após rebelião em presídio de Manaus. Quatro mortos na madrugada deste domingo. Três deles foram decapitados.

Uma nova rebelião no sistema penitenciário do Amazonas deixou, ao menos, quatro presos mortos na madrugada deste domingo (8). Três deles foram decapitados.

A informação foi confirmada à reportagem da Folha pelo secretário de Segurança Pública, Sergio Fontes. O motim ocorreu na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, localizada no centro de Manaus.

A cadeia, que estava desativada, foi reaberta às pressas nesta semana, em péssimas condições, pelo governo do Amazonas para abrigar 283 detentos após a matança em dois presídios de Manaus que terminou com 60 mortes.

A rebelião teve início por volta da 1h (3h, pelo horário de Brasília). No momento, só havia dois agentes penitenciários para contê-la, segundo informou Rocinaldo Silva, presidente do sindicato dos servidores penitenciários do Estado. A Folha aguarda um posicionamento do governo do Amazonas.

Ainda não se sabe se uma briga entre facções teria motivado a chacina. Há relatos de que os corpos, além de decapitados, foram queimados.

Familiares dos presos fazem vigília em frente à cadeia. Por não terem informação do que aconteceu no local, um grupo de mulheres tentou bloquear as avenidas Duque de Caxias e 7 de Setembro, que dão acesso à unidade prisional. Mais cedo, a polícia chegou a atirar spray de pimenta contra um grupo de familiares que protestava no local.

Mulheres dos detentos ouvidas pela reportagem disseram que seus maridos presos na unidade chegaram a mandar mensagens pelo celular informando que o local passava por uma rebelião nesta madrugada.

Os quatro novos assassinatos de detentos no Amazonas neste domingo aprofunda ainda mais a crise penitenciária em que o país enfrenta desde o dia 1º deste ano. Até o momento, já são 99 presos mortos dentro do sistema prisional: AM (64), RR (33) e PB (2).

Briga de facções

Por volta das 6h, o motim já estava "totalmente sob controle", informou Pedro Florêncio, secretário de Administração Penitenciária, do Amazonas.

Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar, acompanhados de cães farejadores, estão na unidade para fazer a contagem de presos e normalizar o funcionamento da cadeia. Os corpos das vítimas foram encaminhados para o IML (Instituto Médico Legal) e ainda não foram identificados.

Para Florêncio, a rebelião não foi motivada por briga entre facções. "Todos [presos] eram ameaçados e não tinham convivência em outros presídios." Os detentos levados emergencialmente para a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa são do PCC (Primeiro Comando da Capital) e foram misturados com condenados sem facção.

Após a transferência, a unidade chegou a registrar um princípio de tumulto nesta última quinta-feira (5).

Os presos que estão na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, muitos dos quais ligados à facção criminosa PCC, foram retirados pelo governo de três unidades da capital amazonense, a fim de evitar mais mortes. Eles são ameaçados por integrantes da facção FDN (Família do Norte), que liderou a matança de domingo (1°) e segunda (2).

Utilizada pelo governo por mais de cem anos, a cadeia Desembargador Raimundo Vidal Pessoa foi desativada em outubro passado após pressões do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Tags: Amazonas chacina presídio rebelião
A+ A-