Espaços turísticos aguardam ações governamentais para receber turistas

Mercado da Redinha e Complexo Cultural da ZN não recebem visitantes, como deveria na alta estação, porque faltou prioridade de gestores.

Redação,
A alta estação da Zona Norte será outra após a construção da Ponte Forte-Redinha. Essa era uma das frases mais alardeadas pelo poder público e empresários do turismo. Porém, a estrutura virou realidade e a chegada dos turistas ainda não. O motivo? Espaços públicos que deveriam hoje ser paradas obrigatórias dos visitantes não estão funcionando como prometido. É o que nossa equipe constatou essa semana em matérias realizadas dentro da série Nominuto Verão. O Mercado da Redinha, que recebeu parcialmente reforma, padece ainda com uma estrutura aquém das expectativas dos turistas. Já o Complexo Cultural da Zona Norte, no lugar da antiga Penitenciária João Chaves, aguarda há um ano por sua inauguração, mesmo tendo suas obras ininterruptas há anos.

No Mercado, a reclamação dos comerciantes é geral. Ainda na gestão do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, foi apresentado o projeto que reformaria e ampliaria o espaço, trazendo mais conforto aos mercadores e clientes. A obra foi iniciada, mas foi paralisada. Ivanize Januário Barbosa, comerciantes lá há 30 anos, explica que o início das obras tiveram andamento apenas em dezembro de 2008, época de alta estação, o que foi criticado pelos comerciantes, já que as obras atrapalhariam a melhor época para as vendas.

"Não é que nós fôssemos contra a obra. O que a gente não queria era parar o mercado em dezembro porque já passamos o ano todo apertado. Quando chega o final temos a chances de ganhar mais. A única coisa feita foi a colocação do granito em cima da bancada e só. Depois disso, a gestão mudou e não houve mais reforma em época nenhuma", falou.

O documento contemplava, na área de 900m², a reforma de toda a parte externa, 24 boxes padronizados, novos banheiros adaptados e rampas com acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência. Dentro do Mercado, 17 boxes seriam reformados e revestidos com granito. Em conjunto com a reforma, seria ampliado o Mercado do Peixe da Redinha, com a construção de mais boxes. O investimento estimado pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos era da ordem de R$ 180 mil e as obras deveriam ter sido iniciadas em abril de 2008.

A comerciante disse que os problemas do Mercado são diversos. Ela começou dizendo que a falta de água é constante no prédio, dificultando o trabalho de limpeza de utensílios. Ivanize explicou que os banheiros, que foram reformados, também não têm água e é comum o acúmulo de resíduos. Em face disso, ela revelou que a Vigilância Sanitária, comumente, realiza vistorias e as ameaças de fechar o Mercado são frequentes. Ela disse que funcionários da Secretaria apenas tiravam foto, mas soluções não foram agilizadas.

A vendedora revelou que o Mercado da Redinha ainda consegue se manter por causa da fama da ginga com tapioca, mas destacou que o prédio não costuma receber turistas, que se esquivam da sujeira e da falta de cuidado. Ela continuou a listar os problemas do prédio. A falta de energia é outro agravante para o Mercado que funciona até a noite. A comerciante adiantou que muitas vezes a instalação elétrica "pipoca" e eles são obrigados a desligar imediatamente. Uma estrutura construída ao lado do prédio apresenta fios descascados e representam perigo para os banhistas e clientes do local.

Dando a volta no prédio, é possível ver uma nova estrutura. O Mercado do Peixe foi reformado, como previsto no projeto, mas os comerciantes também apontam problemas. João Maria Fonseca revelou que as constantes interrupções no fornecimento de água são explicadas por causa da substituição de seis caixas d´água por apenas uma, de capacidade maior.

Questionado sobre como agem os turistas quando presenciam as cenas, João Maria foi enfático ao dizer que "aqui não vem turista. Isso daqui é para o povão". Ele apontou para uma vala onde escorriam uma mistura de água com resto de peixe e perguntou: "Qual o turista que quer vir para cá assim?" indagou.

Complexo Cultural
Somente no final da alta estação que o Rio Grande do Norte deverá contar com mais um importante equipamento turístico, que deveria estar funcionando há um ano. Previsto para ser entregue em janeiro de 2009, o complexo cultural da Zona Norte, erguido no local onde funcionava a Penitenciária João Chaves, está com o cronograma mais que atrasado.

Em novembro de 2008, 70% das instalações já haviam sido concluídas e a estimativa era de que em janeiro do ano seguinte o projeto fosse inaugurado, o que não aconteceu até o momento.

No entanto, o trabalho na área continua. A obra está em fase de conclusão, de acordo com a Secretaria de Estado da Infra Estrutura (SIN). O titular da pasta, Dâmocles Trinta, disse que o atraso do cronograma está relacionado a problemas técnicos da construção.

O secretário explicou que o projeto base apresentou diferenças para o projeto de execução, como entraves nos serviços e licitação. "A obra está 95% concluída e até o final de janeiro deste ano ele deve ser entregue. O que aconteceu é que problemas de execução acabaram alongando o prazo de entrega,", declarou.

A ideia inicial é que o complexo cultural da Zona Norte abrigue um cine-teatro destinado à montagem de eventos públicos e apresentações de peças teatrais, filmes e shows, com capacidade para 240 pessoas e quatro camarins; uma galeria/pinacoteca; praça de alimentação; quatro lojas de alimentos; cinco salas para realização de oficinas de trabalhos manuais; sala de informática; seis lojas de artesanato; dois mini-auditórios com capacidade para 60 pessoas, cada; sala de administração; banheiros; quatro salas de música; uma de dança

Ao lado do complexo, já está sendo construída a sede da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), como prevista no projeto. Uma passarela ligará o complexo cultural ao Campus da universidade.

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