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Enviada em 19/05/2008 às 11h22min

“Crise em delegacias será solucionada quando políticos deixarem de ser secretários”, diz promotor

Wendell Beetoven diz que o ideal seria ter técnicos nas Secretarias de Justiça e Segurança. “Recursos existem, falta competência”, ressaltou.
“A crise existente nas carceragens das delegacias do Rio Grande do Norte, que vivem superlotadas, só será solucionada quando os gestores das Secretarias de Estado ligada à essa área forem técnicos, e não pessoas com vínculos políticos”. A crítica é do promotor público Wendell Beetoven Ribeiro Agra, que participa de uma reunião na manhã desta segunda-feira (19) com o secretário de Justiça e Cidadania (Sejuc), Leonardo Arruda, e com o juiz Cícero Martins Macedo Filho.

Para Wendell Beetoven, a causa do problema é o “mau-gerenciamento dessas pastas”. “Recursos para se solucionar essa crise existem, e não é de hoje. O problema é que os gestores são políticos. Se fossem técnicos, com certeza já não haveria mais presos nas delegacias do nosso Estado. A prova de que há dinheiro é que somente este ano serão gastos pelo Governo do Estado cerca de R$ 19 milhões somente com propaganda. Com muito menos, construiríamos as cadeias públicas necessárias para se solucionar isso”, comentou.

No encontro desta segunda-feira, o secretário Leonardo Arruda disse que vai tentar argumentar que o problema será contornado com a construção de mais quatro cadeias públicas, todas com recursos já garantidos.

“Vou mostrar ao juiz Cícero Martins e ao promotor Wendeell Beetoven que vamos construir cadeias públicas em Nova Cruz, Macau, Ceará-Mirim e Extremoz e, com isso, vamos solucionar o problema. Só precisamos de um pouco mais de prazo. Não podemos levantar essas cadeias num passe de mágica”, alegou. Dessas quatro cadeias, a de Nova Cruz já está em fase de construção.

O promotor Wendell Beetoven disse compreender a situação de Leonardo Arruda, mas disse ser contra um novo prazo. “O Poder Judiciário não pode fazer isso. Temos que respeitar a Lei de Execuções Penais e a competência constitucional do Estatuto da Polícia Civil. Ou seja, precisamos de mais cadeias públicas e de liberar os agentes para fazerem seus trabalhos investigativos ao invés de ficarem custodiando presos em delegacias”, ressaltou.

O juiz Cícero Martins também disse não poder rever a decisão dele pela retirada dos presos das delegacias. “Não tenho como ir de encontro às leis. Se ela diz que preso não pode ficar em delegacia, tenho que fazer com que seja cumprida”, limitou-se dizer, antes de começar a reunião. Não há previsão para o término do encontro.

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