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Enviada em 30/03/2008 às 09h11min

“Delegacias Distritais não conseguem mais atender demanda”, avalia líder comunitário

No total, são 15 unidades espalhadas pelos bairros de Natal. Porém, a cidade cresceu e algumas das DPs não conseguem mais dar conta da demanda.
Fonte: Sesed
Natal possui 15 Distrito Policiais.
As Delegacias Distritais de Natal, criadas com o intuito de aproximar e facilitar o trabalho da Polícia Civil junto à população dos bairros, vivem atualmente uma realidade distante da idealizada. No total, são 15 unidades espalhadas pelos bairros da capital. Porém, a cidade cresceu e algumas das DPs não conseguem mais dar conta da demanda.

É o que pensa o líder comunitário do bairro Planalto, João Ferreira. “Só no Planalto, nós temos 76 mil habitantes. Para isso, contamos com uma delegacia (11º DP) que, além do Planalto, é responsável pelo Satélite, San Vale e Guarapes”.

Joãozinho, como é conhecido, destacou ainda que falta comunicação entre os órgãos públicos e a população. “Outro problema que os moradores de qualquer bairro enfrentam é a falta de estrutura nas delegacias. A gente chega para registrar uma ocorrência e acaba desistindo, pois muitas vezes não há pessoas para atender ou os agentes são mal educados”, frisou.

O líder comunitário ressaltou que isso faz com que a população, vítima de assalto, acabe desistindo de registrar queixa nas delegacias. “Já invadiram minha casa duas vezes, mas eu nem quis ir à delegacia registrar o Boletim de Ocorrência”.

A reportagem entrou em contato com o titular do 11º Distrito Policial, delegado Natanion de Freitas, mas ele não quis comentar as declarações de João Ferreira. A diretora de Polícia Civil da Grande Natal, delegada Margareth Gondim, informou que o problema de estrutura realmente existe, principalmente pelo fato de presos estarem alojados em delegacias.

“Isso acaba prejudicando o trabalho dos agentes, que precisam ser carcereiros”, disse. Em relação ao atendimento nos Distritos Policiais, Margareth Gondim destacou que a DPGran está com uma fiscalização constante quanto ao cumprimento de horários dos agentes e delegados.

“O horário de funcionamento de uma Delegacia Distrital é das 7h às 18h, quando se inicia o plantão. Nesse período, é para ter gente, nas unidades, pronta para atender a população, e nós temos orientado, com freqüência, para o cumprimento dos horários”, afirmou a delegada.

Polícia junto à população

Thyago Macedo
Delegado Luiz Lucena, titular do 15º Distrito Policial, em Ponta Negra.

Devido a todos esses problemas de estrutura e efetivo policial, o principal papel de um Distrito Policial, aproximar polícia e população, muitas vezes acaba ficando em segundo plano.

Com diversos inquéritos e dezenas de ocorrências diárias, delegados e agentes enfrentam dificuldades para desenvolver um relacionamento com os moradores de cada bairro.

Para o líder comunitário João Ferreira, a falta de comunicação entre as autoridades policiais e as lideranças de bairros, de certa forma, dificulta o trabalho da Polícia. “Têm moradores que nem sabem o nome do delegado. Claro que isso vai do interesse da cada um, mas, se houvesse uma interação maior, com certeza o trabalho policial seria mais efetivo”, frisou Joãozinho, como é mais conhecido.

Apesar das dificuldades, alguns delegados reconhecem a importância do diálogo com a comunidade. É o caso do titular do 15º Distrito Policial, delegado Luiz Gonzaga Lucena.

Ele coordena as ações policiais em um dos bairros mais problemáticos de Natal, Ponta Negra, e informou que, constantemente, reúne-se com lideranças do bairro para debater os problemas e possíveis soluções.

“Uma das minhas primeiras ações quando assumi a delegacia foi entrar em contato com o Conselho Comunitário e demais lideranças de Ponta Negra. Na ocasião, eu disse: se vocês estão achando que Polícia sozinha vai resolver o problema da segurança pública, estão muito enganados. Nós precisamos da ajuda de cada morador”.

Depois disso, o delegado explicou que diversos casos foram solucionados com ajuda da população. “De 2006 para cá, prendemos 19 traficantes, estouramos bocas de fumo e desvendamos homicídios, graças aos moradores. Atualmente, quase todo mundo em Ponta Negra tem meu telefone. Até os criminosos ligam para mim para denunciar a concorrência”, destacou.

O maior índice de criminalidade em Ponta Negra é o trafico e consumo de drogas. Segundo o delegado Lucena, o combate tem sido constante, principalmente para retirar crianças e adolescentes das ruas. “Eu já chamei aqui na delegacia vários pais para falar da situação dos filhos e orientá-los. Essa parceria entre a Polícia e população tem reduzido consideravelmente a criminalidade no bairro”.

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