A Lista

Rafaella Domingues,

Ontem recebi uma mensagem de uma amiga falando que sentia a minha falta. Falta das nossas conversas, das trocas de ideias, das gargalhadas, da alegria dos encontros. E confesso: também sinto faltas (com s mesmo). Logo lembrei da música de Oswaldo Montenegro, A Lista. Ela diz mais ou menos assim: “faça uma lista de grandes amigos. Quem você mais via dez anos atrás. Quantos você ainda vê todo dia? Quantos você já não encontra mais. Faça uma lista dos sonhos que tinha (...)”. Será que deixamos pelo caminho amigos e sonhos? Ou os caminhos desvelam sonhos e amigos?  

Peregrinos que somos, acabamos por seguir caminhos diferentes mesmo. São escolhas que fazemos durante a passagem pela vida. Mas isso não impede de levarmos as marcas dos (des)encontros e deixarmos lembranças naqueles que recordarão de nós (de mim e de você) com ternura, sempre. São os laços que envolvem a alma e preenchem parte dos nossos vazios, com afeto.

Escutei certa vez que amigos são aquelas pessoas que lembram quem você é, até mesmo quando você esquece. Achei incrível essa frase! Amigos contam a nossa história, mesmo quando a velha memória insiste em nos trair. Eles lembram que você é capaz, quando você não acredita mais. Eles vibram verdadeiramente com suas conquistas e choram com a sua dor. Sinalizam os seus passos em falso. Sentem sua falta, sentem saudade. Sentem vontade de estar junto e desfrutar da sua companhia. Isso cura. Amigo cura.  

(Re) penso que as pessoas queridas, que chamamos em algum momento de nossas vidas de amigos, continuam em nós, internalizados. Apesar da distância, do silêncio e dos caminhos opostos. Sabemos que eles estarão lá, na memória, vibrando por nós. Desejando luz e prosperidade. O coração sabe disso. Ele sente. Ele é feito criança, sincero e autêntico.

Assim, sigo a caminhada levando um bocado de gente no lado esquerdo do peito, com ternura, carinho, alegria e amor. Afinal, como uma grande colcha de retalhos, cada pedacinho foi costurado sutilmente, por pessoas que passaram por mim e hoje revelo ao mundo suas texturas e nuances diferentes, por todos os caminhos que sigo.  

E apesar dos desencontros,

Com a alegria dos reencontros,

Porque a vida é a arte do encontro,

Vivo a Vida!

Viva a Vida! 


A+ A-