Um ato de amor

Monique Pimentel,

Ser psicólogo é “emprestar” nossos ouvidos a qualquer tempo e momento. Estava no salão de beleza e o cabeleireiro, ao saber que eu era psicóloga, destrinchou sua história de amor, como quem espera certamente um conselho, ao final.

Ele me disse que amava o seu companheiro, mas os dois sabiam que aquela história tinha chegado ao fim, mas era difícil admitir aquilo. “É como se a gente tivesse ligado o automático, mas vai chegar a hora de parar”, me disse ele.

Ele me contava muito sereno e tranquilo, não via tristeza no seu olhar, me falava da história linda que viveram, do amor e da admiração que tinha, mas sabia que tinha chegado ao fim.

Disse a ele que talvez o ponto final naquele momento pudesse manter aquela história sempre linda para os dois e às vezes é preciso parar, seja para respirar, pensar, refletir e voltar mais completos e ainda mais felizes, ou não, seja hora mesmo de viver outras histórias, outros amores.

Aí, me lembrei de Zack Magiezi, que diz: “colocar um ponto final na nossa história de amor, foi um ato de amor e respeito pela nossa história.” Como sempre, fantástico!!

A mais pura verdade. Reconhecer que é hora de parar e tentar guardar apenas o que ficou de bom é, além de respeitoso, muito sábio por parte de quem toma essa iniciativa.

Sabedoria de enxergar aquilo que se tem medo de ver, mas que por algum motivo se instalou ali e prosseguir com essa história pode trazer mágoas, ressentimentos, culpa e tantos outros sentimentos negativos que são capazes de minar aquela linda história de amor.

Lembro agora de um amigo bem religioso que sempre me diz: “Peça sabedoria a Deus para tomar suas decisões, elas podem mudam o rumo de nossa história.” Quão verdadeiro e significativo é esse conselho.

E foi esse mesmo conselho que dei ao cabeleireiro: “Sabedoria para suas escolhas”, porque sabedoria é acreditar que a estrada, que às vezes parece sem rumo, ela vai muito além do que se vê.

Porque, às vezes, é preciso fechar o livro e escrever outro, mesmo que os personagens sejam os mesmos.

Porque, às vezes, o fim é só o anúncio de um novo ciclo que vai começar.

Porque mesmo que as cortinas se fechem, haverá sempre novas cenas, novos espetáculos e novos personagens para encenar um ato de amor.

Um ato de amor pela nossa história.



A garota que você deixou para trás

Monique Pimentel,

Mais um ano começa e oportunamente nesse início de novo ciclo, termino de ler o livro “A garota que você deixou para trás” de Jojo Moyes, a mesma autora de “Como eu era antes de você, que também se tornou filme.

O livro é uma trama envolvente que faz uma paralelo entre duas histórias separadas pelo tempo, uma se passa na primeira guerra mundial e a outra nos tempos atuais. O que une essas histórias é um quadro que tem o mesmo título desse texto. Vale muito a pena a leitura.

“A garota que você deixou para trás” me deixou com várias reflexões, robustecidas pelas indagações normais de final de ano. “O que deixamos para trás com o ano que se finda?” “O que fica fortalecido para o ano que se inicia?”

Sendo até meio clichê, o que deixamos para trás é o que realmente já não faz mais muito sentido na nossa vida, ou o que realmente o tempo forçosamente muda, a jovialidade, a energia física e algumas vezes aquele sorriso puro e esperançoso de que o mundo todo nos pertence. Mas o que fica, o que fortalece são os nossos valores, as nossas crenças e junto com eles as pessoas que comungam disso com a gente e por quem e pelo o que vale o nosso esforço, nossa dedicação e nosso amor.

O livro reflete isso, as histórias se entrelaçam com duas personagens que se identificam com essa “estranha mania de ter fé na vida”, apesar de tantos pesares e de um mundo tão subvertido.

Lembro agora de uma senhora, que deve ter em torno de 70 anos, que encontrei nessa primeira semana do ano, na praia. Ela se sentou ao meu lado, toda faceira, usando biquíni e me dando dicas de como ficar com um bronze bonito. Ela me contou que já estava se preparando para o carnaval e que aproveitava muito bem a vida, apesar de já ter vivido muitas dificuldades. “Mas o passado fica pra lá, não é mesmo?”, me disse ela. E eu que estava coincidentemente com o livro na mão, pensei: “qual a garota que ela deixou para trás?”.

Não sei o que ela deixou, mas posso afirmar que o ficou é muito bacana. A alegria, a energia e a vontade de viver e aproveitar daquela senhora, me fez crer que às vezes nem precisamos deixar aquela garota pra trás, apenas vamos adaptando ela e como falei acima, reafirmando seus valores.

A “garota” que aquela senhora revelou ser, reafirma minha esperança e fé de que a vida se entende olhando para trás, mas o que eu decido carregar na minha “bagagem” faz o meu presente muito mais leve e feliz.

Então para o ano que se inicia, que a gente possa (re)viver essa “garota” cheia de vida, amor e esperança que pode estar adormecida em nós.

Para o ano que se inicia, mais energia e sorrisos sinceros.

Para o ano que se inicia, é preciso que renasça também em cada um de nós esse desejo sincero de fazer um balanço entre o que realmente deve ir e o que deve permanecer em nós.

Para o ano que se inicia, qual “’garota’ você quer deixar para trás?”  



Aprendizado

Monique Pimentel,

Aprendizado

Ouso intitular meu texto com o nome de um poema de Ferreira Gullar, que partiu para poetizar em outro plano. Fiquei encantada ao saber que antes de morrer, ele pediu à sua esposa para que não o entubassem. “Me deixem ir em paz”, pediu ele. E deve mesmo ter ido em paz, sem amarras, sem máquinas, leve e forte como um poema.

Forte como o seu “Aprendizado” que diz em um dos versos:

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

E por que nunca estamos preparados para esse sofrimento? Parece óbvio responder que é porque sofrer é ruim. Mas não creio que seja tão óbvio assim. Talvez também não estejamos tão abertos à alegria e já que o seu avesso é o sofrimento nos fechamos mais ainda para ele. Já pensaram sobre isso?

A vida é feita de momentos e instantes. Nada dura para sempre. Nada é permanente. E a gente vive como se buscasse sempre uma alegria eterna. E por isso nunca nos contentamos e deixamos de viver essas “pequenas” alegrias e tristezas diárias. Nos fechamos para elas.

O que te faz feliz?

Talvez você tenha pensado em algo que ainda não tenha, como: conquistar uma aprovação num concurso, ver os filhos crescerem com saúde, comprar uma casa, etc... Percebem que a gente tende a projetar essa felicidade?

Talvez a resposta devesse ser bem mais simples, como o que me faz feliz é estar agora escrevendo e “desnudando” minha alma como fazem os poetas. A alegria é real, é presente, é aqui e agora. Assim como o sofrimento e a tristeza.

Eles precisam ser vividos e esgotados neste instante porque daqui a pouco teremos outras alegrias e tristezas a serem degustadas. E assim segue a vida, ora doce, ora amarga, mas pulsando o agora, o instante e o presente.

Penso que a “matemática” da vida é simples e pede de nós algo também simples, como saborear cada momento que ela nos oferta, mas a gente vive lamentando o passado e ficando ansioso com o futuro.

Que tal alimentarmos nossa vida com mais emoção, sentimento, intensidade dos momentos vividos, boas energias e paz no coração?

Para que, talvez ao final da vida, possamos ter a serenidade que Gullar teve ao dizer: “Me deixem ir em paz”. Possivelmente a paz de ter vivido com intensidade seus momentos de vida.

“Que a vida só consome, o que a alimenta” (Ferreira Gullar)

Esse é o verdadeiro aprendizado.



"Ando meio cansada"

Monique Pimentel,

Essa semana mais um texto de Zack Magiezi me encanta. A beleza que o poeta tem de ler nossa alma é realmente fascinante. No texto, Zack fala da superficialidade mundana, ele retrata exatamente o que sinto.

As pessoas estão rasas. É tão difícil encontrar alguém bacana que converse sobre sentimentos, sobre reflexões, sobre algo que verdadeiramente nos toca. Parece que as pessoas “vestem sonhos da mesma marca”. E isso confesso, cansa.

Cansa porque parece que nos acomodamos a falar de outras pessoas e falar sempre com um tom crítico e quando vamos falar sobre nós, na maioria das vezes mantemos a superficialidade, projetando sonhos coletivos e despersonalizados. Estamos rasos, meus caros. E aí que mora o perigo.

Cansa porque as pessoas parecem não só vestir sonhos da mesma marca, mas se “fantasiam” do mesmo estereótipo, seguindo padrões, seguindo a maioria sem a menor reflexão sobre aquilo.

Mas há ainda uma luz no fim do túnel. Há pessoas tão intensas e tão profundas que oxigenam nossa mente e nossa vida e o cansaço fica pra trás. São aquelas pessoas que saem da mesmice e que a gente fica tão feliz em saber que não estamos sozinhos no meio da multidão.

Gente que olha nos olhos, que escuta com atenção, que fala sobre sentimentos, que tem uma vida que pulsa verdadeiramente real e não é camuflada pelas redes sociais. Gente que ainda acredita no amor, que é feliz assim “por nada”. E aí aqui preciso falar de uma amiga que nos relatava o fim do seu relacionamento e ela disse que ficou muito surpresa que as pessoas disseram a ela coisas como: “Você não tem medo de terminar sozinha?”, “Ruim com ele, pior sem ele”, “Tem muita mulher solteira e por isso temos que baixar nossos critérios quanto aos homens”.

Minha amiga falava isso com um sorriso no rosto de quem tem a profundidade necessária para não se deixar levar por comentários como esses. “As pessoas estão tão cansativas”, me disse ela, reforçando o que venho dizendo acima.

“As pessoas não olham mais para o mundo, na verdade, elas não olham mais para si mesmas, só para ambições pequenas de um futuro tão distante e eu fico aqui, apaixonada pelo hoje” (Zack Magiezi).

Posso até andar meio cansada de pessoas que só replicam e se acomodam na sua superficialidade, mas ando apaixonada também pelas possibilidades que o mundo nos dá, pelo privilégio de ter pessoas com as quais tenho muita sintonia e me fazem crer que vestir sonhos de outras marcas é tão mais fascinante.

Ando feliz.



Sobre perder

Monique Pimentel,

Li em um livro uma reflexão interessante sobre perder alguém, o autor fazia uma analogia, em que a perda de uma pessoa muito querida é comparada a perder o óculos de grau, ir a uma ótica na tentativa de achar outro e saber que não existe mais aquele óculos. “E assim, a vida se torna embaçada”, disse o autor.

Vida embaçada. Essa expressão soou forte para mim. Na verdade, penso que a cada perda, a vida deixa de ter um pouco de brilho e luz mesmo. Mas é preciso seguir, mesmo embaçada, a vida continua a pulsar.

E como fazer pra continuar? A fé, a família e os amigos são primordiais. Vi uma pesquisa que falava que o que mantém as pessoas felizes e saudáveis são os relacionamentos que elas constroem ao longo da vida. A dor é indivisível, mas o amor, o apoio e a escuta dos que amamos traz um acalento para a alma.

Uma pessoa conhecida me falava da dor imensurável da perda do seu filho e me dizia que o que a mantinha viva era justamente a fé em Deus, sua família e os amigos que se faziam muito presentes.

Outra me falava que tinha se separado e o que a reergueu diante da perda foram justamente as relações construídas. “É como ter uma caixa bem pesada para carregar, sozinha não consigo, mas com as mãos amigas que tenho, consigo levar”, me disse ela.

Tenho tantas questões e reflexões sobre essas perdas. Por que são tão drásticas para uns? Por que a vida pode parecer tão pesada para quem aparentemente não merece aquela dor? E tenho tantos outros porquês que talvez nunca se esgotem e podem refletir a minha fraqueza humana.

Mas mesmo com uma visão embaçada é preciso olhar pelas janelas dos olhos de Deus, pois ainda pulsa vida, ainda pulsa luz e amor. E há anjos lindos de Deus aqui na terra, que são lampejos dessa luz e desse amor.

Que as perdas da vida, não façam perder a si mesmo.

Que as perdas da vida, nos fortaleçam.

Que haja sempre luz para continuar e amor para pulsar.

E “saiba que forte eu sei chegar, mesmo se eu perder o rumo”.

Haverá sempre uma janela escancarada com os olhos de Deus a nos abrir caminhos.



A graça do mundo

Monique Pimentel,

Recebi uma música linda essa semana que dizia isso: “A gente não pode ter tudo, qual seria a graça do mundo se fosse assim?”

O que lhe falta? Lacan, um autor da Psicanálise, fala que somos seres de falta, deve sempre nos faltar algo. A falta como uma busca incessante, deve sempre faltar para a roda da vida girar.

Penso que a falta revela nosso caráter humano, somos falhos, imperfeitos e precisamos admitir isso. E é lindo perceber quando o que nos falta, pode ser preenchido pelo o que transborda no outro. Às vezes nos falta força, fé e coragem e vem alguém e nos injeta isso. Por sua vez para esse outro pode faltar amor e a gente abre o coração para fornecer.

E assim, essa falta nos une, essa falta nos aproxima, nos revela e nos torna amigos, amores, cúmplices ou parceiros. Percebam quem a gente escolhe para caminhar na vida conosco, geralmente eles preenchem alguma falta nossa.

E aí está a graça do mundo. A graça da vida. Os belos encontros que ela nos proporciona. A gente vai faltando, aprendendo, errando, transbordando e dançando na “chuva de vida que cai sobre nós”.

Não tenhamos medo de nos molhar.

Não tenhamos medo de errar o passo da dança.

Não tenhamos medo de cantar alto e desafinado.

Afinal de contas, “a vida é trem bala parceiro e a gente é só passageiro prestes a partir.”

Por isso, cuidemos mais dessas nossas faltas, das pessoas que nos acompanham nesse “trem bala”, das relações que estabelecemos. Porque quando desembarcarmos desse trem é isso que fica, as nossas faltas que nos fizeram construir relações e caminhos que nos tornaram únicos e eternos na vida de alguém.

Essa é a graça do mundo.



Ambiguidade sentimental

Monique Pimentel,

Ivan Martins, escritor que eu adoro e leio semanalmente, hoje falou sobre essa ambiguidade sentimental e nos alertou: “quando a gente convive com quem tem por nós sentimentos ambíguos, a chance de que nos machuquem é enorme.”

E é mesmo. Quem nunca esteve em uma relação assim? É viver na corda bamba dos sentimentos. Temos que estar o tempo todo alertas, nos equilibrando a todo custo porque a qualquer momento podemos cair. Que tenso, né?

Lembro agora de uma música interpretada por Ana Carolina, cujo trecho diz: “Como assim? Você disse que me amava tanto ontem. Eu juro que ouvi.” E ouviu mesmo. Aquele que é ambíguo, que vive de inconstâncias, hoje diz que ama, mas amanhã já não sabe mais se é aquilo mesmo e quem está do outro lado fica com essa inquietação: “Como assim?”.

E aí mora o perigo de se entrar em um ciclo perigoso. Amor – desamor – angústia. Como é desgastante viver assim. Uma hora você se sente muita amada, com declarações explícitas de carinho, logo depois o cara diz que já não sabe se é isso mesmo e a angústia alimenta todo esse ciclo.

Eu não canso de dizer que o mundo está ao contrário e ninguém está reparando e penso que essa ambiguidade sentimental pode ser reflexo desse mundo “de cabeça para baixo” que estamos vivendo. É tudo muito efêmero, descartável e volátil. A gente não sabe mais o quer, o que sente e do que precisa, por isso tantas dúvidas e inconstâncias.

Sei também que há situações em que realmente estamos com dúvidas, inseguros quanto ao que sentimos. Então, o melhor a fazer é ser leal e verdadeiro consigo mesmo e com o outro ao seu lado. E ao outro cabe exatamente a mesma coisa, prevalecendo sempre a liberdade para decidir entre ir ou ficar, pousar ou voar. Porque, como diz Carpinejar “liberdade na vida é ter um amor para se prender.”

Penso que se fôssemos mais leais e verdadeiros com o que sentimos, se nos percebêssemos mais, essa lealdade com o outro seria mais fácil. E quando essa lealdade acontece, ela pode nos presentear com uma relação de parceria, de cada vez mais certezas e menos dúvidas.

As ambiguidades continuarão lá, mas haverá um sentimento de cumplicidade, amor e certeza que é muito maior do que elas. É a certeza de que é melhor ficar do que ir embora e de que é tão bom voar a dois, é tão bom ter a serenidade do amor tranquilo.

“Sempre haverá ambiguidades e incertezas no interior de um relacionamento, mas elas não devem ser maiores ou mais frequentes do que as certezas que mantêm as pessoas unidas” (Ivan Martins)



Incompetência sentimental

Monique Pimentel,

Estamos nos tornamos incompetentes sentimentais! Acho que já ouvi esse termo antes, mas infelizmente não me recordo quem foi o autor desse verbete. Mas vou explicar porque falo sobre ele. Em uma saída com amigas, uma delas relatou que estava namorando um cara bacana, mais maduro, mas de repente ela recebe uma mensagem pelo wapp dizendo: “foi bom te conhecer, mas acho que não temos mais sintonia.”

Ela mal terminou de falar e eu disparei: “Que incompetência sentimental!”. Que falta de cuidado, zelo e respeito. O cara se acovardou e preferiu mandar uma mensagem fria a ter uma conversa. Sei que não é confortável dizer a alguém que não está mais afim e tal, mas deveríamos ser mais maduros sentimentalmente.

E penso que isso é reflexo dessa camuflagem virtual a que estamos submetidos. Estamos perdendo esse contato real, olho no olho, troca de energia e nos acomodamos com mensagens enviadas, fotos postadas e tudo parece tão cômodo, tão ágil, tão fácil. Mas na verdade é tão triste, tão distante.

Por isso as relações estão tão frouxas, tão líquidas. Num simples toque na tela do celular eu faço declarações de amor e com esse mesmo toque, eu “dispenso” uma pessoa, assim como quem cancela uma reunião. Não sei vocês, mas eu não quero achar isso normal, eu não quero me acostumar com essa “modernidade”.

A gente se torna competente para tanta coisa, né? A tecnologia, o conhecimento, a rapidez na transmissão de informações e a facilidade do acesso a elas nos faz sagazes, intelectuais, estudiosos, competentes profissionalmente, mas em contrapartida aquilo que não se ensina, que não tem manual, o saber lidar com nossos sentimentos e o do outro ao nosso lado, nos faz ficar tão imaturos, tão incompetentes.

Sei que a situação da minha amiga é corriqueira, mas não deveria ser.

Sei que conseguimos lidar com um turbilhão de informações que chegam até nós, mas não conseguimos lidar com nossos sentimentos.

Sei que o mundo parece estar ao contrário e ninguém parece reparar.

Sei que a nossa incompetência sentimental ainda nos levará a muitas decepções.

Mas sei também que não devemos nos acostumar com isso. Que há pessoas que valem a pena, que valem toda a nossa competência sentimental, que nos faz ainda acreditar que o amor vale a pena. E vale muito.

Mais verdade!

Mais cumplicidade!

Mais cuidado!

Mais “olho no olho”!

Mais amor, por favor!



Deu certo!

Monique Pimentel,

Na semana que passou, fomos pegos de surpresa pelo anúncio da separação do casal famoso Willian Bonner e Fátima Bernardes e frases do tipo: “Não acredito mais no amor” e até piadas que fizeram com a situação, movimentou as redes sociais. Mas não é sobre isso que quero falar.

A separação do casal me levou a refletir sobre a forma como encaramos as decepções na nossa vida. Não vi nenhuma notícia estampando frases como: “Eles deram certo por 26 anos.” “Eles podem ter sido felizes por 26 anos.” ou “Eles construíram uma história que durou 26 anos.”  Talvez porque a notícia ruim dê mais ibope, né? Mas não é isso. Porque nós, no nosso anonimato, fazemos o mesmo. A gente exclui tudo de bom que foi vivido e focamos no fim “trágico”.

Eu sei que a gente sofre justamente pelo término da história que foi bacana, que teve cumplicidade, que teve momentos felizes ou também pelas expectativas frustradas, pelo “futuro sem nós”. Mas se já não há mais essa sintonia, talvez seja hora mesmo de tomar outros rumos, viver novas histórias.

Ivan Martins, em seu último texto da semana que passou, falou sobre isso, com maestria ele discorreu sobre o “Nada é para sempre”. “Não sei se é caso de lamentar o casal desfeito. É bom ter um casamento duradouro e é triste vê-lo acabar, mas, ao mesmo tempo, a chance de recomeçar a vida é extraordinária.”, disse Ivan.

Eu diria que encarar uma separação é um ato de coragem, misturado com boas doses de amor próprio e pitadas de humildade. É ter sabedoria para fazer as colocações certas, talvez trocar o “fracassamos” por o “demos certo por esse tempo”.

Ouso dizer que discordo de Ivan. Acredito ainda que pode existir sim um “Felizes para sempre”. Raro, raríssimo! Mas existe. Há muitas coisas que unem os casais, dentre elas o amor e nesse caso pode ser sim para sempre.

Mas se por algum motivo, algo na relação se desfaz ou uma das partes decide que já não faz mais sentido, é hora de fechar o ciclo e se permitir ser feliz de novo, amar de novo, pulsar o coração de novo.

Eu sei que não tão simples assim. Mas, viver a lamentar uma relação que acabou, lutar em vão por algo que não tem mais força, se esgotou, se esvaiu e traz mais angústias do que alegrias, é perder a oportunidade de ser feliz novamente. E a vida é tão curta pra perder assim.

Então, tentar focar no que foi bom, reconhecer que não deu mais, que foram feitas todas as tentativas para continuar e mesmo assim não teve sucesso, é hora de se refazer, de se permitir e de olhar para trás e dizer: Deu certo sim! Mas ainda há muito amor pra pulsar.

Em outras histórias.

Em outros corações.

E que ele pulse, pulse, pulse.



Amor ou a possibilidade de um amor?

Monique Pimentel,

Ando cada vez mais fascinada pelos escritos de Zack Magiezi e ele falou sobre os encantamentos ou a possibilidade deles que o amor nos proporciona.  Há um tempo venho refletindo sobre isso e também sobre essa sede que temos de amar, amar de verdade, não esse amor que a gente tenta estampar nas redes sociais, falo do amor que pulsa lá dentro, que rede social nenhuma ainda é capaz de demonstrar. Graças a Deus!

Pois bem, nessa carência afetiva em que vivemos parece que a gente vai se encantando muito mais com a possibilidade de um amor do que com o próprio amor. Conhecemos alguém e parece que vamos exacerbando as qualidades e anulando os defeitos para que o amor floresça logo. Já perceberam isso?

Um amigo acabou em relacionamento e veio destilar todos os defeitos da sua ex. E eu disse: “Mas vocês pareciam tão bem?” “Você só falava coisas boas dela.” E foi aí que a minha “teoria” sobre essa possibilidade de um amor se concretizou com a fala do meu amigo. Ele me disse que na verdade, ele se empolgou muito mais com a possibilidade de amar do que com a pessoa que estava ao seu lado. “Depositei nela uma expectativa minha e fechei os olhos”.

O resultado disso foi o término do relacionamento e a tristeza dele não era o fato de ter perdido aquela pessoa. Ele não sofria a perda dela, sofria a perda da possibilidade de entregar o amor a alguém que ele nem julgou se merecia. Tinha sede de amar. Quem nunca fez isso?

Zack na sua reflexão fala: “tudo é belo como um sonho, tudo é não corpóreo, tudo é sensação imaginária.” E quando essa sensação é desfeita, a realidade escancara na sua frente que realmente aquela não era a pessoa. “Você não percebeu o defeitos dele?” “Você não viu que jamais isso daria certo?”

Não.  A gente fica se ocupando com essa ilusão, com essa possibilidade que aparece e a pessoa ao lado passa a ser um mero detalhe dessa ilusão. Em um mundo cada vez mais líquido, de relacionamentos, fugazes, o simples fato de alguém escolher estar com você, desperta essa possibilidade de um amor.

Afinal de contas, por que não se permitir? Mas ai o cuidado que temos que ter para que esse desejo que se abre não suplante a realidade ali presente. O amor é real, é simples, é palpável, a gente pode sentir o pulsar dele dentro de nós, mas parece que a gente que complica tudo, achamos melhor imaginar, criar, fantasiar a viver o real. Que estranhos estamos nos tornando.

Que estranho querer viver um amor que sobrevive de postagens e curtidas.

Que estranho viver um amor que não sobrevive a uma mensagem visualizada e não respondida imediatamente.

Que estranho viver tão virtualmente um amor que só pede pra ser real e simples.

E na verdade, estranho seria se o amor fosse essa estranheza que estamos nos tornando.

Por mais amor!

Por mais possibilidades reais de amor!



Quero mais

Monique Pimentel,

Essa semana escutei a música de Tiago Iorc “Até aqui” e me fez refletir sobre até onde chegamos e o que mais queremos da vida. Você está satisfeito com o seu “até aqui”?

Eu respondo a essa pergunta com um trecho da música que diz: “Sei o que sou mas quero mais.”

Sinto que estou satisfeita com o que me tornei e com a minhas infinitas possibilidades de ser, de reconfigurar e de me ajustar. Mas a sensação é essa de querer mais. Mas não no sentido da ambição desvalida de querer pelo querer, de acumular coisas. Não. Não mesmo.

O “querer mais” versa pela qualidade das coisas que quero. Penso que devemos “querer mais” em tudo o que nos propomos a fazer. Ser melhores como pessoas, profissionais, amigos, parceiros e querer mais das conexões que estabelecemos na vida.

Essa semana um amigo muito chateado com as relações no seu ambiente de trabalho, me disse que só queria mais respeito das pessoas. Se as pessoas soubessem se respeitar mais, certamente haveria bem menos conflitos interpessoais.

É desse “querer mais” que estou falando e que devemos sempre buscar. Mais respeito, mais cuidado, mais empatia. Nesse mundo cada mais “descartável” estamos realmente com essa sede de “querer mais” aguçada. Tudo ficou muito banalizado. Não deu certo, separa. Não correspondeu, demite. Não acertou, desiste.

E a gente entra num ciclo vicioso de se contentar com pouco, de se submeter a miudezas e o pior de abalar a auto-estima. Por isso, o querer mais deve ser nosso carro chefe, nossa meta e nosso meio.

Querer mais respeito.

Querer mais amor.

Querer mais cuidado.

Querer mais empatia.

Porque quando a gente sabe o que quer e quer mais do que nos oferecem, não nos deixamos abalar pelas incertezas nem fraquezas do outro.

Parafraseando Chicó no filme “O auto da compadecida”: Não sei, só sei que quero mais”.

“Sei o que sou, mas quero mais das certezas.” (Tiago Iorc)



Seja inteiro

Monique Pimentel,

Após um tempo afastada, volto a saborear essas reflexões que fazem tanto sentido para mim e pulsam meu coração. E para (re)começar, vamos falar de amor? O que ele nos reserva?

Em um conversa com uma amiga recém separada, ela se lamentava lembrando das juras de amor feitas, das promessas do amor eterno, de declarações como: “você é a mulher da minha vida”. E ai lembrei de uma reflexão de Zack Magiezi:

“Ela disse:

 Não me prometa

Um futuro

Uma velhice a dois

Não diga que sou a mulher da sua vida

Que o nosso amor vai ser para sempre

O que que quero é simples

Só esteja por inteiro

Em nossos momentos”

E ai está o grande desafio dos relacionamentos: estar por inteiro. Em um mundo cada vez mais raso, pessoas inteiras e profundas estão escassas. Por isso o tempo é algo tão relativo nas relações, tem gente que vive 3 meses por inteiro e com muita intensidade que vale mais do que 5, 10, 15 anos vividos superficialmente.

Estar por inteiro é sentir o outro, é estar a aberto a conhecer e se entregar sem medo, sem traumas. E se sofrer de novo? E se a decepção vier? E para que tantos “se”, para que tantas perguntas? Para que tantas promessas?

A condição para ser feliz parece tão simples: seja inteiro em tudo o que faz. Esteja inteiro. Sei que corremos o perigo de mergulhar em pessoas rasas, mas quem é inteiro reconhece a profundeza do outro. Vale a pena? Mergulhe de cabeça. Duas “inteirezas” que se encontram podem desabrochar um amor intenso, verdadeiro.

Por menos promessas e mais realidade.

Por menos “fakes” e mais verdade.

Por menos redes sociais e mais “olho no olho”.

Por menos metades e mais inteiros.

Por menos complicações e mais simplicidades.

Porque pode parecer difícil mas o amor na sua simplicidade só pede isso:

Seja inteiro!



Sobre conhecer-se

Monique Pimentel,

Estava na missa de domingo e o padre fez um linda homilia, ele falava da importância de nos conhecermos, de nos aproximarmos de nós mesmos, como uma forma de nos aproximar de Deus. Deus que é amor, perdão, compaixão, sabedoria e tantas outras qualidades que são reconhecidas na intimidade.

E aí vem a pergunta: Quanto a gente se conhece? Quanto tempo a gente se dedica a esse autoconhecimento? Num mundo tão agitado e que nos cobra respostas sempre instantâneas, quanto tempo do nosso dia, a gente guarda para silenciar, se aprofundar, se reconhecer ou até se desconhecer?

Comentava com uma amiga sobre essa necessidade de se conhecer, de se perceber. Como é bom saber nossos limites, conviver com essa intimidade consigo. É uma viagem necessária que nos leva a lugares bem distintos, às vezes obscuros. E aí vem o medo do desconhecido e a gente quer interromper ou até nem começar a viagem.

Faz tempo que eu embarquei nessa viagem, não só pela minha formação em psicologia, mas por querer sempre me aproximar de Deus e penso que a melhor forma é estando em paz conosco, é no silencio dos nossos corações que Deus habita. “Sereno é quem tem a paz de estar em paz com Deus.”

E aí compartilho com vocês um trecho de Zack Magiezi em “notas sobre ela”:

Ela chegou aos 30, amando cada erro e acerto, cada lágrima e riso, relendo as partidas e chegadas, na catedral do recomeço, no altar da gratidão, ela está orgulhosa de si mesma, esse orgulho não é pecado, é sagrado, hoje ela mora em si mesma, não precisa provar nada para ninguém, só provar a vida com colheres cheias.

E no auge dos meus 30 e poucos anos, assim me percebo, respeitando muito minhas lágrimas, mas ainda mais minhas risadas (salve, Caetano Veloso), agradecendo sempre e sempre como um exercício diário de amor e de recompensa, identificando meus limites, errando, acertando, errando de novo e percebendo que a vida é esse fio, é esse sopro que pode ser sabiamente saboreada quando nos permitimos realizar essa viagem interior, esse encontro consigo e com Deus.

Saborear a vida é saber que nem tudo são flores, mas optamos por ser jardim.

É saber que nem tudo são cores, mas optamos por ser uma aquarela.

É saber que nem tudo é canção, mas optamos por ser música na vida de alguém.

É saber que nem tudo agrada ao outro, mas optamos por agradar a nós mesmos.

E assim penso que são as melhores escolhas que podemos fazer na vida, escolher ser e se reconhecer, escolher pela simplicidade de permitir olhar no espelho e ser em uma moldura clara e simples, aquilo que se vê por dentro.




Vale a pena

Monique Pimentel,

Essa semana peguei o elevador com dois adolescentes, que deviam ter em torno de uns 16 anos. Inevitavelmente tive que ouvir a conversa deles e um dizia ao outro que estava namorando uma menina, mas que os pais dela eram muito controladores e isso tornava o namoro difícil. O outro amigo replicou taxativo e disse: “melhor acabar isso, só vai te dar dor de cabeça”, mas o apaixonado respondeu: “Não cara, por ela vale a pena.”

Confesso que por pouco não fui invasiva e entrei na conversa dizendo: “muito bem, deve valer a pena mesmo”. Mas fiquei com essa ideia para compartilhar aqui com vocês e lanço uma pergunta pra refletirmos: “Quem vale a pena para nós?” “Por quem vale a pena, a dor de cabeça e as dificuldades?”

Vale a pena por quem faz vibrar nosso coração de maneira diferente, por quem a gente consegue enxergar todas as dificuldades, mas o lado bom e o prazer de estar ao lado da pessoa amada nos faz perceber que essas dificuldades se tornam tão pequenas diante de um sentimento tão forte.

Lembro agora também de uma música interpretada por Maria Rita que fala o contrário disso, por quem não vale a pena, como mostra o trechinho abaixo:

“Ficou difícil, tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício, ossos do oficio
Pagar pra ver o invisível e depois enxergar
Que é uma pena, mas você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor”

E sabedoria na vida, meus caros, é ter esse discernimento, é saber quem vale a pena, é saber por quem vale nosso esforço, nosso amor, nossas renúncias e ter a serenidade de saber que há também pessoas que não valem a fisgada da nossa dor.

Porque como diz ainda na música citada acima: “De repente cai o nível e eu me sinto uma imbecil. Repetindo, repetindo, repetindo como num disco riscado”. E você corre o risco de se ver aprisionada num beco sem saída. Vale a pena?

Estou certa que não.

Porém, ouso dizer que as pessoas que valem a pena, valem também a fisgada da nossa dor. Lembro de um relacionamento que tive com um rapaz que valia muito a pena, mas infelizmente não consegui me envolver como gostaria e tive que sair do relacionamento e doeu deixar ir alguém que valia a pena, valia até a fisgada da minha dor.

Mas o amor é uma fórmula que é composta não só por alguém que vale a pena, mas também deve ter pitadas consideráveis de envolvimento e paixão e assim o amor vai tomando forma, sendo construído, fermentado e valendo cada vez mais a pena.

Por mais pessoas que valham a pena!
Por mais amores que valham a pena!

Vale verdadeiramente a pena!



Para sempre amor!

Monique Pimentel,

Foi assim: família reunida, orações, lágrimas e gratidão pelo tempo vivido. Foi assim que há um ano, nossa querida avó Regina se despedia  como um pássaro que voa para outros ares, com um último suspiro de quem fez valer a pena cada respiração.

Olho para trás e me pego surpresa pensando: 1 ano! E mais uma vez o velho e sábio tempo mostra seu valor. Santo tempo! Aquele que ameniza dores e deixa marcas de amor como saudade.

Certa vez me falaram que o primeiro ano do luto é sempre o mais difícil, é o primeiro aniversário sem a pessoa, o primeiro natal, o primeiro réveillon e as tantas outras primeiras datas de fortes lembranças.

Mas tudo depende da forma como encaramos e lidamos com nossas perdas. A saudade existe e nunca deixará de existir, afinal ela é o amor que fica, vivo, intenso e pulsando a cada respiração.

Sempre digo que a morte nos impulsiona a pensar na vida e cada vez fico mais certa disso. A partida de vovó me fez reforçar isso também. Ela desfilou pela vida, ela foi feliz, ela fez pessoas felizes, ela sofreu, chorou, teve esperança, teve fé e acreditou que o que a gente leva da vida é o bem que fazemos e se foi, fechou as cortinas do seu espetáculo com merecidos aplausos de pé.

E a vida continua em cada um dos seus, em cada sementinha de amor plantados por aqui, que florescem e dão frutos. A vida segue seu rumo, segue seu fluxo e se passa um ano, se passam os anos, mas a leveza com a qual encaramos a partida nos faz ter cada vez mais fé na vida.

Sabe aquela sensação de que nem parece que ela se foi? Essa é a certeza da presença e do amor que independem do contato físico, essa é a certeza de que apesar de tantos mistérios, a vida e a morte são um contínuo, essa é a certeza de que o amor vale cada respiração, essa é a certeza do para sempre.

Para sempre amor.

Para sempre Regina!



Gente de verdade

Monique Pimentel,

Vi esses dias uma frase que falava sobre a gente se orgulhar de ter coração. Ela diz assim: “Eu sei, todos tem, mas você entendeu quando eu digo ‘ter coração’, falo sobre saber sentir a dor do outro, saber ser verdadeiro por saber o dano que a mentira causa. Isso não é motivo de vergonha, não, moça. Isso não é ser ‘trouxa’. Isso é ser gente de verdade” (A menina e o violão).

Eis o grande desafio: ser gente de verdade! Neste tempo de páscoa, muito se falou sobre renovação, ressurreição, perdão e ressignificação. Será que a gente consegue ter humildade e coragem para perdoar e pedir perdão?

Sentir a dor do outro, sentir o “estrago” que muitas vezes se causa no outro. Infelizmente o mais cômodo parece ser se isolar, esquecer, relativizar, mas é lindo e revigorante saber que ainda há lampejos de luz, ainda há pessoas que sabem ser luz, sabem pedir perdão, perdoar e em um ato humilde e corajoso se despojar de suas vaidades humanas.

Se me perguntassem qual o segredo de viver bem, prontamente responderia que é saber ter leveza na vida e ter leveza não é “ser trouxa” como diz a frase que trouxe acima, ser leve é ter a sabedoria para ponderar nossas atitudes, é carregar o que merece ser carregado e deixar que a vida se encarregue de levar o que não suportamos, tal qual uma árvore que no outono deixa suas folhas cair e o vento levar.

Ser gente de verdade é sentir com o coração.

Ser gente de verdade é ser coerente com suas atitudes.

Ser gente de verdade é reconhecer sua fragilidade humana.

Ser gente de verdade é ter a empatia de ver o outro, sentir pelo o outro.

Ser gente de verdade é ser como uma árvore no outono.

Em um mundo com tantas mentiras, fingimentos, egos inflados, ódios estampados e camuflados, torço por mais amor, por mais renovação, por mais verdade.

Por mais gente de verdade.

De verdade!



Depois de você

Monique Pimentel,

“Depois de você” é o novo livro de Jojo Moyes e é também a continuação do “Como eu era antes de você”, que virou filme e em breve estará nos cinemas. História linda, emocionante, daquelas que a gente não consegue largar e deixa as lágrimas rolarem. Vale muito a pena a leitura.

Há pessoas que passam pela nossa vida que deixam marcas indeléveis e que mudam algo em nós, é como um divisor de águas, antes de você e depois de você. E como há um “depois de você” significa que o outro foi subtraído de sua vida, seja por separação ou morte.

No livro “Depois de você” há o seguinte trecho: “Às vezes reparo na vida das pessoas à minha volta e me pergunto se não estamos todos destinados a deixar um rastro de estrago... quase todo mundo carrega a marca brutal do amor, fosse perdido, roubado ou simplesmente sepultado no túmulo.”

Sem clichês, o fato é que há sempre um propósito nos encontros da vida e nos desencontros também. E a sabedoria está em saber o que fazemos com o que fica com o “depois de você”. Vivenciar o luto é o primeiro passo, seja ele do amor separado ou sepultado. O ideal seria que o rastro deixado nos tornasse sempre pessoas melhores, nos fortalecesse e nos tornasse mais livres.

Porém, infelizmente nem sempre é assim. Muitas pessoas se tornam amargas, medrosas e reticentes para um novo amor. Medo de perder de novo, de  amar de novo e de encarar mais um possível “depois de você”.

Como a vida imita a arte e o contrário também acontece, o ideal seria como aconteceu no livro, o que se foi deixou a seguinte norte para ela: “Não pense em mim... Apenas viva bem, apenas viva.” E ela apesar do pesar da perda foi isso que fez. Viveu! Mesmo com a dor, mesmo com as marcas indeléveis daquele grande amor.

E o final?

Ah, não vou estragar a surpresa. Você precisa ler o livro. Mas o final da nossa história, de cada um de nós que certamente já teve um “depois de você” que deixou um rastro de estrago, de dor, mas também de amor? O que se faz com isso?

A gente se transforma, se reinventa, se permite e afinal, vive. Porque viver é justamente entrar nessa ciranda, nessa roda viva com pessoas que vêm e vão e outras que vêm e ficam e que vão sempre nos impelir a perguntar: “Como eu era antes de você?” e “Como eu serei depois de você?”

Torço para que sejamos melhores a cada marca deixada porque o amor, essa sublime magia, é um belo presente do destino.

Antes de você.

Depois de você.

E que o “eu” continue vivendo, sendo, amando, caminhando e se reinventando.



Tecendo mais um fio de vida

Monique Pimentel,

Meu réveillon, meu novo ano se inicia sempre no dia 20 de fevereiro. Ao tecer mais um fio de vida, sinto cada vez mais sede de viver, de aproveitar, de amar e de agradecer a Deus por essa dádiva.

E assim como o tradicional ano novo nos incita muitas reflexões, o meu “novo ano” também não é diferente. Lembro da música de Oswaldo Montenegro, “A lista”. Cada frase da música é um convite a uma autorreflexão. Mas escolhi um trechinho dela para refletir aqui.

“Onde você ainda se reconhece

Na foto passada ou no espelho de agora

Hoje é do jeito que achou que seria?

Ao olhar no espelho, gosto do que vejo, gosto do meu presente que guarda marcas do passado. Claro que há sempre algo a ser melhorado e não falo só de estética, mas principalmente do que reflete o nosso interior que inevitavelmente reverbera no que externamos.

Há dias que nem no espelho gostamos de olhar, o interior está bagunçado, às vezes sujo, contaminado e a gente evita encarar esse lado. Porém há outros em que a felicidade está estampada no nosso sorriso. A pele, o cabelo, a expressão, tudo fica mais bonito. E esse reflexo a gente adora. Merece até uma selfie.

E afinal o que é a vida, senão esse dueto, essa contradição, essa beleza de sermos tantos mas tão únicos, múltiplos mas tão individuais que o espelho reflete aquilo que queremos ver, aquilo que queremos ser.

Hoje sou do que jeito que achei que seria?

Certamente não. Em alguns pontos, penso que sou melhor e outros não são tão bons assim. Mas há algo em mim que permanece estático, perene e latente e isso eu sempre achei que seria, tenho um otimismo grande pela vida, sou daquelas que tem a “estranha mania de ter fé na vida”.

Fé em Deus, fé no que virá, fé na certeza da gratidão. Gratidão como certeza da fé. E o que mais esperar da vida?

Não sei o que virá, não sei se daqui a dez anos estarei do jeito que penso agora, mas uma certeza quero ter que nunca perderei essa fé na vida, esse otimismo e a constante gratidão a Deus, independente do que acontece e do que virá.

E assim vou tecendo fios, tecendo minha colcha de vida. Ora me reconhecendo no espelho, ora me desconhecendo nele; ora reafirmando meus valores, ora questionando alguns deles.

Afinal o que é vida?

É exatamente esse mistério que nos impulsiona, que nos impele a seguir adiante com a única certeza de que há uma força superior muito poderosa que guia tudo isso e que faz a vida, apesar de todos os pesares, ser bonita, bonita e bonita.



Prece ao coração

Monique Pimentel,

Eis que em meio ao frevo pernambucano, me surpreendo com uma música linda do cantor Saulo Fernandes. Ela se chama “Prece ao coração”. A letra é curta, mas de uma intensidade belíssima.

Para afastar a solidão

Eu faço preces ao coração

Pra um novo amor

Eu danço

Pra ser feliz

Eu canto

Para ter dinheiro

Trabalho

Pra ter sabedoria

Me calo

Fazer prece ao coração é falar com Deus, é escutar a voz dEle e também se escutar, quem tem intimidade consigo, quem sabe ser sua melhor companhia, nunca estará sozinho.

Dançar para um novo amor, dançar como quem encanta, como quem está livre para se unir a liberdade do outro porque amar é como bem poetizou Rubem Ales: “Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que, a qualquer momento, ele pode voar”. Mas ele prefere dançar com e para seu novo amor. Que sorte a nossa!

Pra ser feliz, cantarolar, cantar, seja embaixo do chuveiro, seja no carro, seja para ninar uma criança. Música que alimenta a alma, que revigora o espírito e que faz o nosso coração feliz.

O trabalho que dignifica o homem, o trabalho honesto que traz também um dinheiro honesto. Mas, o pior de tudo é saber que tem gente que é tão pobre que só o que lhe resta é dinheiro. Alegria mesmo é trabalhar com o que gosta e de quebra ainda receber dinheiro por isso.

E para encerrar com maestria, o silêncio que nos faz sábios, que nos dá o discernimento para fazer nossas escolhas.

Porque é no silêncio que fazemos a verdadeira prece ao coração.

Amém!



Quem quer, quer!

Monique Pimentel,

Li um texto hoje que fala sobre isso “Quem quer, arruma um jeito. Quem não quer arruma uma desculpa” e na hora me lembrei de uma grande amiga. Ela, cansada das desilusões amorosas e dos relacionamentos efêmeros, me dizia que não entendia porque os homens agem assim, mostram interesse e de repente somem, inventando desculpas, ou até aparecem namorando outra.

Ela me falava também sobre um relacionamento com um rapaz que dizia não assumir namoro porque estava estudando muito pra concurso, não poderia perder o foco, mas que gostava dela, ela era especial e todo aquele blá blá blá que a gente conhece. Lembro que na hora disse a ela que homem é muito previsível e a regra da matemática do amor é simples: quer = quer/ não quer = desculpa.

Quando a gente quer estar com alguém, não tem concurso, trabalho, família ou algo que impeça. A gente faz a coisa dá certo, a gente se esforça e quer que a pessoa esteja ali ao nosso lado.

Eu conheço várias situações e tenho certeza de que você também conhece. Mas entendo também que é difícil, às vezes a gente acha que pode estar enquadrada naquela exceção, que o rapaz de fato está doente, está cansado, está querendo estudar. Só isso. Mas um pouco mais à frente virá a constatação: ele não quer.

Então, penso que seguir essa lógica da matemática pode fazer com que criemos menos expectativas e a vida seja levada com mais leveza, sem tanta busca por explicações, por indagações. “Por que ele não vem?” “Por que ele mentiu?” “Por que ele disse que gostava e agora me trata assim?” Para que tantos porquês?

Porque não. Simples e complicado assim. Isso é igual ao amor, quando ele acontece a gente pode até tentar se questionar: Por que assim? Por que ele? Por que eu? Porque amor, meus caros. Simples e também complicado assim.

O amor é esse emaranhado de sentimentos, é essa receita que só dá certo naquela situação, é subjetividade, mas também é a matemática: quer= quer/ não quer = desculpa.


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