A garota que você deixou para trás

Monique Pimentel,

Mais um ano começa e oportunamente nesse início de novo ciclo, termino de ler o livro “A garota que você deixou para trás” de Jojo Moyes, a mesma autora de “Como eu era antes de você, que também se tornou filme.

O livro é uma trama envolvente que faz uma paralelo entre duas histórias separadas pelo tempo, uma se passa na primeira guerra mundial e a outra nos tempos atuais. O que une essas histórias é um quadro que tem o mesmo título desse texto. Vale muito a pena a leitura.

“A garota que você deixou para trás” me deixou com várias reflexões, robustecidas pelas indagações normais de final de ano. “O que deixamos para trás com o ano que se finda?” “O que fica fortalecido para o ano que se inicia?”

Sendo até meio clichê, o que deixamos para trás é o que realmente já não faz mais muito sentido na nossa vida, ou o que realmente o tempo forçosamente muda, a jovialidade, a energia física e algumas vezes aquele sorriso puro e esperançoso de que o mundo todo nos pertence. Mas o que fica, o que fortalece são os nossos valores, as nossas crenças e junto com eles as pessoas que comungam disso com a gente e por quem e pelo o que vale o nosso esforço, nossa dedicação e nosso amor.

O livro reflete isso, as histórias se entrelaçam com duas personagens que se identificam com essa “estranha mania de ter fé na vida”, apesar de tantos pesares e de um mundo tão subvertido.

Lembro agora de uma senhora, que deve ter em torno de 70 anos, que encontrei nessa primeira semana do ano, na praia. Ela se sentou ao meu lado, toda faceira, usando biquíni e me dando dicas de como ficar com um bronze bonito. Ela me contou que já estava se preparando para o carnaval e que aproveitava muito bem a vida, apesar de já ter vivido muitas dificuldades. “Mas o passado fica pra lá, não é mesmo?”, me disse ela. E eu que estava coincidentemente com o livro na mão, pensei: “qual a garota que ela deixou para trás?”.

Não sei o que ela deixou, mas posso afirmar que o ficou é muito bacana. A alegria, a energia e a vontade de viver e aproveitar daquela senhora, me fez crer que às vezes nem precisamos deixar aquela garota pra trás, apenas vamos adaptando ela e como falei acima, reafirmando seus valores.

A “garota” que aquela senhora revelou ser, reafirma minha esperança e fé de que a vida se entende olhando para trás, mas o que eu decido carregar na minha “bagagem” faz o meu presente muito mais leve e feliz.

Então para o ano que se inicia, que a gente possa (re)viver essa “garota” cheia de vida, amor e esperança que pode estar adormecida em nós.

Para o ano que se inicia, mais energia e sorrisos sinceros.

Para o ano que se inicia, é preciso que renasça também em cada um de nós esse desejo sincero de fazer um balanço entre o que realmente deve ir e o que deve permanecer em nós.

Para o ano que se inicia, qual “’garota’ você quer deixar para trás?”  


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