Tecendo o Fio das Palavras

Boazinha, eu?

Monique Pimentel,

Escutei de uma amiga que meu problema era porque “sou boazinha demais”. E na mesma hora pensei, que mundo é esse, onde ser boazinha é problema?

“O mundo está ao contrário e ninguém reparou”, não canso de falar. E o que está acontecendo?

Estamos nos perdendo. Estamos sendo “engolidos” pelas efemeridades e futilidades mundanas. As redes sociais estão ai o tempo todo para nos mostrar isso. Recebi de um amigo uma matéria que fala que as pessoas estão pagando por um voo fake de jatinho para poder tirar fotos e postar nas redes sociais. Parece absurdo, mas é a verdade gritante.

Então, nesse mundo de aparências, ser “boazinha” parece errado. Frases como: “homem gosta de mulher ruim”; “quem é bonzinho só se dá mal porque as pessoas se aproveitam”; “deixe de ser besta” soam como verdades e ai mora o perigo.

Eu penso que a questão não está no mérito de ser “boazinha”, mas de seguir sua natureza. Deixar o personagem que aparece nas redes sociais, sempre rico e feliz, e assumir quem você é, com todas as emoções que fazem parte da natureza humana é ter autenticidade,

E se você vai de encontro ao que é, isso traz angústia e tristeza, Já perceberam isso?

O mundo está adoecendo porque estamos nos desconectando de nós mesmos.

Então, se eu ou você nos consideramos pessoas do bem, leais e verdadeiras com o que sentimos, não vejo nada de errado nisso. O erro está em querer ser quem você não é, viver uma vida de aparências. Isso é verdadeiramente triste.

Mas ai a gente pensa, num mundo onde “O nome dela é Jennifer” tem uma repercussão absurda, onde as pessoas pagam pra tirar fotos fakes no jatinho, ser “boazinha” é ser realmente diferente.

E assumir essa diferença não é fácil. Mas minha “estranha mania de ter fé na vida” e por todas as pessoas “boazinhas” ao meu redor, digo que vale a pena ser assim.

Talvez seja exatamente isso que o mundo esteja precisando, de “bonzinhos” que assumam suas virtudes e espalhem o bem por aí.

Um bem real e verdadeiro.

Um bem que pulsa fora das redes sociais.

Porque quando espalhamos o bem, ele retorna pra gente.

Por isso, sigo sim, “boazinha”.

E você?


A+ A-