Facebook (des)necessário?

Monique Pimentel,

Ontem uma amiga me ligou muito chateada porque viu pelo facebook de um amigo em comum com o ex-namorado dela, uma foto sua com a atual. E ela foi destilando sua raiva, pelo pouco tempo que haviam terminado, por ele tão rápido já estar com outra, frequentando os mesmos ambientes que ele frequentava quando estava com ela, os mesmos amigos e todo aquele discurso que certamente você também conhece.

E ela ainda acrescentou: “desnecessário o amigo ter postado isso, sabendo que eu ia ver.” Mas penso que desnecessário mesmo é a gente ser tão refém de um aplicativo, concordam? Acho que nossas vidas eram mais tranquilas antes dessas redes sociais. O facebook, instagram e similares tornaram aquele nosso velho diário, um diário coletivo, todos podem ver a acompanhar nossa vida.

Infelizmente, me sinto refém disso também. Há momentos em que posto alguma foto e penso: “desnecessário postar isso.” As pessoas que verdadeiramente importam e vivenciam aquele momento, não sabem dele pelo facebook.  Mas ele não é de todo mal, se bem utilizado, pode ser de grande valia. Ler coisas interessantes, reencontrar pessoas, divulgar nosso trabalho, entre outros.

Mas penso que o que minha amiga sentiu ao ver algo desnecessário pelo facebook revela muito do momento em que estamos vivendo. Ivan Martins em um texto que fala sobre isso, sabiamente diz: “Ao estimular e antecipar fofocas, o Facebook explora uma fraqueza humana: temos propensão psíquica a falar demais de nós mesmos e a desejar saber demais sobre a vida dos outros. Sem esses dois elementos negativos o Facebook não existiria.”

E aí também mora uma contradição, expomos nossa vida para a rede social e nos enclausuramos em nós mesmos e também nos fechamos para o outro. É uma cena muito comum, vermos em bares e restaurantes pessoas reunidas, mas conectadas com seus celulares. Fazem uma selfie, postam que estão feliz e voltam todos para seus casulos. E isso é uma pena.

É uma pena nos vermos reféns desse mundo virtual.

É uma pena olhar e não ver; ouvir e não escutar.

É uma pena estarmos perdendo essa vida que pulsa e vibra realmente, verdadeiramente.

Deixo claro também, que me incluo nessa “loucura virtual”, mas tento em momentos como esse, refletir sobre isso. O que é realmente necessário para nossa vida? Certamente partilhar os momentos com quem amamos, desfrutar de boas companhias, propagar o que é bom, ter fé em Deus, ter fé na vida. E claro que podemos também usar o facebook para isso, mas na medida certa, com equilíbrio, sem deixar que ele roube a cena real que pulsa aqui fora.

Que o facebook e as demais redes sociais sejam necessárias, mas não alienantem e desperdicem boa parte do nosso tempo.

Porque desnecessário mesmo é deixar de sentir esse mundo real, vibrante e com tanta coisa linda, intensa e verdadeira para nos oferecer.


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