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Livros digitais para democratizar a leitura

Virtuais ou áudio, novos formatos de livros surgem para atrair um público que não tem muita intimidade com os livros tradicionais.

Por Karla Larissa
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Fotos: Vlademir Alexandre
A leitura nunca esteve entre os hábitos da maioria dos brasileiros. No país, se lê em média 4,7 livros por ano, enquanto em países vizinhos, como a Argentina, esse número é quase cinco vezes maior. Mas outras formas de acesso à literatura têm surgido para atrair um público que não tem muita intimidade ou acesso aos livros tradicionais, os impressos.

São os livros digitais, chamados também de eletrônicos, virtuais, e-books, ou audiobooks.
A jornalista Taciana Chiquetti é também escritora infantil e têm dois títulos virtuais: a "Coleção 5 saúdes para crianças" e "Na crista da Ondina". Ela explica que os livros virtuais podem ser baixados no computador e o leitor pode optar por ler na máquina ou imprimir quantas vezes quiser.

"Mas, além do texto, o livro virtual permite uma interação entre o autor e os leitores, por meio de recursos multimídia". Ao contrário do que se pode pensar, o rendimento do autor de livros virtuais pode ser maior do que o de livros tradicionais, em termos de porcentagem.

"O livro virtual não tem o custo da gráfica, que é o maior na composição de um livro impresso", esclarece. Para os leitores, em contrapartida, o livro sai bem mais em conta, alguns, até de graça. "Assim, o livro virtual acaba sendo uma forma de pressionar para que o livro físico seja mais barato, porque um dos motivos pelo qual as pessoas não lêem é porque os livros são muito caros".

O livro virtual é apontado como um caminho para democratização da leitura. "É uma tendência se tornar cada vez mais popular porque, no mínimo, quem não tem computador em casa tem na escola ou no trabalho", afirma Taciana.

A escritora também acredita que o formato digital é mais democrático para os autores. "Para os novos autores é uma porta de entrada porque as editoras tradicionais a princípio não investem em autores que não têm certeza que vão ter retorno".
Apesar dos benefícios, Taciana diz ainda ser partidária dos livros tradicionais. Para ela, eles proporcionam momentos de "integração, introspecção" e "é mais gostoso", mas ela acredita que os livros virtuais podem ser o primeiro passo para a leitura. "Novas formas de leitura ou de acesso ao livro têm surgido, mas não acho que elas concorrem com os livros tradicionais, são apenas opções", destaca.

Uma dessas novas formas, além dos e-books, são os audiobooks. No começo, eles eram apenas livros de concursos gravados em CDs, mas agora estão sendo vendidos best seller, livros de auto-ajuda e até clássicos da literatura em formato mp3.

Supervisor de uma livraria, Madson Euler conta que os audiolivros estão sendo muito consumidos e são procurados por pessoas que não tem tempo para ler um livro tradicional, não podem ou têm dificuldade de ler.

 "Tem pessoas que trabalham muito e não podem parar para manusear um livro, ou pessoas que só tem tempo à noite, mas não querem ler um livro tradicional para não acender a luz e incomodar o marido ou a esposa, também há pessoas com problemas de visão", enumera.

Segundo Euler, as editoras estão investindo em audiolivros e diversificando. "Agora as editoras passaram a transformar em áudio best sellers, biografias e, inclusive, em breve será lançada toda a coleção de Machado de Assis".

O supervisor explica que, com os livros em formato de áudio, uma pessoa pode em seis, sete horas ouvir o equivalente a um livro de 300 páginas. "Ou seja, em uma semana de congestionamento dá pra ler um livro", brinca. Madson Euler diz que os livros em áudio são de 20% a 30% mais baratos que os livros em papel.
 
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