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Comédia sertaneja ganha júri popular do Curtacom

Filme 'Causo de Matuto', comédia inspirada no sertão nordestino, foi o que mais agradou ao público no Festival de Curtas-metragens da UFRN.

Por Vinícius Menna
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Fotos: Divulgação
Rosana Rayssa Pimentel (centro) é a diretora e idealizadora do filme.
O filme "Causo de Matuto" foi considerado pelo júri popular do Curtacom, Festival de Curtas-metragens da UFRN, o melhor filme do evento. O filme é uma comédia inspirada em medalhões nacionais da comédia sertaneja, como "O Auto da Compadecida".

O Curtacom é uma mostra competitiva de curtas-metragens, produzidos por universitários, com o objetivo de estimular o desenvolvimento da produção audiovisual na UFRN e na comunidade em geral.

Rosana Rayssa Pimentel, diretora do filme, conta que "Causo de Matuto" competiu com outros grupos de estudantes na categoria ficção. A aluna de Jornalismo foi buscar no universo e cotidiano do homem sertanejo a fonte de inspiração para escrever e criar o seu roteiro. Ao lado de uma equipe de estudantes universitários, ela elaborou uma proposta de curta-metragem voltada para o gênero comédia.

Segundo ela, o filme retrata a figura de Joaquim, um matuto andarilho, que chega a uma pequena cidade, em busca de um lugar para descansar. No caminho, ele descobre que a única pessoa que poderá ajudá-lo é uma mulher misteriosa, temida por todos os moradores da cidade de Peboleiro.

A história é recheada de comédia, com gostinho de Nordeste. Na ficção, todo o desenrolar acontece baseado em imagens, gente, cenários e pessoas de Acari, terra natal de Rosana Pimentel. 

Ao lado dela, participaram da direção do trabalho na equipe organizadora as alunas Allynne Bezerra, Djanicy Braga e Marina Gadelha. O roteiro foi todo produzido pela acariense. O trabalho tem duração de 15 minutos. 

A produção é de Allynne Bezerra, Djanicy Braga, Marina Gadelha e Rosana Rayssa Pimentel. A fotografia ficou por conta de Bruno Marques e Rodolfo Rodrigues. O figurino foi elaborado por Allynne Bezerra, Djanicy Braga, Marina Gadelha e Rosana Pimentel e a edição ficou a cargo de Bruno Marques e Rodolfo Rodrigues.

O elenco do filme foi formado por Wagner Varela (Joaquim), Cândida Sousa (D. Benja), Bruno Marques (padre), Rodolfo Rodrigues ("Dotô"), Fernando Montanaro (Coronel Ludugero), Andressa Hazboun (Antônia).

A seguir, leia a entrevista com Rosana Rayssa Pimentel, diretora do filme “Causo de Matuto”.

Nominuto - Qual o período de jornalismo que você está? 

Rosana Pimentel -
Eu e as outras meninas da equipe de produção (Allynne Bezerra, Djanicy Braga, Érica Costa e Marina Gadelha) estamos terminando o 4º período. Os meninos que trabalharam com a fotografia e edição (Rodolfo Rodrigues e Bruno Marques) são do curso de Rádio e TV e estão perto de se formar - não sei exatamente os períodos.

NM - De onde surgiu a idéia de montar uma comédia baseada no universo acariense? 

RP -
Na verdade, a comédia não se baseia no universo acariense especificamente, mas nas cidades interioranas do Nordeste de uma forma geral. A idéia foi surgindo por acaso. Nós tínhamos um trabalho para apresentar à disciplina de Semiótica da Comunicação e precisávamos de algo que pudesse caracterizar bem o que ela pedia: símbolos, significados, mitos, etc. Acho que nada melhor do que o Nordeste brasileiro para expressar o que queríamos. Nós temos uma cultura magnífica - pela qual eu sou fascinada desde pequena - que carrega consigo muito mistério e ao mesmo tempo simplicidade. Mas o meu maior estímulo foi o fato de ser fã do Auto da Compadecida - produção que considero uma das melhores no país.

NM - Como foi fazer o filme? 

RP -
Foi muito gostoso. Nós éramos - e somos ainda - muito inexperientes nesse tipo de trabalho, talvez isso mesmo tenha nos dado tanto prazer em fazê-lo. Mas foi uma experiência maravilhosa, que mexeu com todo mundo que ajudou.

NM - Quais foram as dificuldades para se montar o filme? 

RP -
Acho que o maior problema com qualquer produção na área de comunicação é a questão financeira. Nós não tínhamos dinheiro, precisávamos nos deslocar para outra cidade - as filmagens quase todas foram feitas em Extremoz - não tínhamos equipamentos básicos como câmeras e microfones (tanto que precisamos reunir gente de outras turmas - caso de Rodolfo e Bruno). O cenário foi outro problema. Foi preciso muito improviso, muita mudança no roteiro e, principalmente, muito suor. Mas acho que o mais complicado foi ter que gravar nas casas de algumas pessoas que nunca tínhamos visto na vida. Foi preciso ter muito jogo de cintura - e cara de pau - para fazer isso, mas foi muito engraçado também. Imagine só, de repente alguém bate em sua porta e diz: "Oi, nós estamos gravando um filme, você pode nos ceder seu quarto para uma cena?". As pessoas ficavam meio desconfiadas, mas depois acabavam entrando na brincadeira. 

NM - Você já tinha feito algum filme antes? 

RP -
Nós fizemos um documentário no ano passado para uma outra disciplina, mas esse foi mais complicado ainda. Acho que o trabalho de reportagem ficou bem legal porque entrevistamos muita gente - desde policiais à pessoas envolvidas com drogas e prostituição. Mas infelizmente a técnica era muito precária. Gravamos tudo em câmeras digitais e acabamos perdendo muito trabalho.

NM - Tem idéia de fazer algum outro filme futuramente? 

RP -
Eu fiquei fascinada por esse tipo de trabalho. É muito bom você poder imaginar e produzir do seu jeito uma coisa que antes você achava impossível. Já estamos pensando em novas produções, com toda certeza.

Confira a ficha técnica do filme:

Título Original: Causo de Matuto
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 15 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Allynne Bezerra, Djanicy Braga, Marina Gadelha e Rosana Pimentel
Roteiro: Rosana Pimentel
Produção: Allynne Bezerra, Djanicy Braga, Érica Costa, Marina Gadelha e Rosana Pimentel
Fotografia: Bruno Marques e Rodolfo Rodrigues
Edição: Bruno Marques e Rodolfo Rodrigues
 

 
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