Num primeiro momento, foram identificadas 13 áreas de atuação que a FJA está articulando para criar as câmaras setoriais. São elas: Cultura Indígena, Livro e Leitura, Artes Visuais, Música, Cultura para a Criança e o Adolescente, Cultura para a Juventude, Audiovisual, Artes Cênicas (agregando Dança e Artes Circenses), Literatura de Cordel, Folclore, Quadrinhos, Cultura Afro-brasileira, e Cultura na Zona Rural.
“Mas nada impede que outras sejam criadas, como a do turismo cultural, por exemplo. Nossa intenção era que, até o fim do ano, as câmaras estivessem funcionando. Mas não adianta nada criar o órgão, se não houver participação da classe artística. Tem que ser algo pactuado para dar certo”, admite.
O principal problema enfrentado pela FJA vem sendo justamente a articulação com os diferentes setores. “A carrada mais difícil de carregar é a de gente”, brinca Crispiniano Neto.
Logo, as câmaras que se encontram mais adiantadas são aquelas em que os artistas estão mais articulados. “Já estão bem adiantadas as discussões no Audiovisual, Livro e Leitura e a de Cultura Indígena”, enumera. As áreas mais críticas são a de artes visuais e a de música. “Esta última é porque, pela primeira vez, a Fundação participou da Feira da Música, em Fortaleza. Logo, os responsáveis, Babal, Mirabô e Sérgio Farias, estavam totalmente focados nesse evento. Mas agora as discussões devem andar”, acredita.
Na semana passada, ocorreu uma reunião com agentes culturais voltados para a juventude. No decorrer desta semana e o começo de outubro, novas encontros de outras áreas estão previstas:
Literatura (18/9) - 14h - Responsável: Venâncio Pinheiro / 9964-9040 / oficinaviva@gmail.com
Música (20/9) - 14h - Responsáveis: Babal, Mirabô Dantas e Sérgio Farias / 3232- 5319/ setorialdemusicarn@gmail.com
Artes Visuais (21/9) - Responsáveis: Luciano Roque e Sayonara Pinheiro / 3232-5320 / cpc.fundacaojoseaugusto@gmail.com
Artes Cênicas (16/10) - 15h - Responsáveis: Wescley e Wanie Rose / 3232-5319 / wescley@rn.gov.br
Vlademir Alexandre
Para Crispiniano, "se existe uma política pública, pode-se transformá-la numa política de governo"

Plano B
Como fazer então, para escapar das acusações de imobilismo, enquanto as câmaras não funcionam de fato? “Tem uma tática. A gente define umas prioridades em cada setor e vai tocando enquanto a câmara não se consolida. O importante é o artista ter a consciência de que não é a gente quem deve dizer o que vai ser feito. Eles têm que dizer isso. Os artistas é que vão fazer valer as câmaras – ou não”, afirma.
Para Crispiniano, uma mobilização da classe artística em torno das câmaras pode acabar com o caráter personalista imprimido à Fundação José Augusto por cada administrador que passou pela direção.
“Em Mossoró, fizemos um movimento por 12 anos, pela construção de um teatro para a cidade, que culminou com a criação daquela série de espetáculos. Chegou a um ponto que, na última eleição, todos os candidatos à prefeitura se comprometeram a não acabar com os autos, que movimentam a classe teatral durante todo o ano. Ou seja, acabou se tornando uma política de cultura para a cidade”, exemplifica.
Para coroar esse trabalho, Crispiniano se articula para que as diretrizes apontadas pelas câmaras culminem com o Plano Estadual de Cultura – o mesmo caminho trilhado pelo Minc.
“Por isso, precisamos convencer os artistas de que, com a participação direta, podemos transformar as idéias discutidas com a comunidade em uma política pública. E, se existe uma política pública, pode-se provocar o Estado para que a transforme numa política de governo”, arremata.
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