Fotos: Vlademir Alexandre
Grupo se inspira em estilo criado nos anos 70 por bailarina americana.
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Na coreografia e no figurino das dançarinas é possível identificar elementos africanos, árabes, indianos, flamencos e nipônicos. Do aparelho de som, salta uma música de ritmo tribal, com percussão acentuada em primeiro plano acompanhada de cantos ritualísticos. Em pouco tempo, surgem elementos modernos na melodia, como batidas de hip-hop e nuances de música eletrônica.
Esta fusão de diferentes culturas étnicas e do ancestral com o contemporâneo é a base do trabalho da Companhia Xamã Tribal, grupo potiguar de dança que começa a desfrutar de projeção nacional.
Misturando danças folclóricas e teatro, o estilo do grupo é conhecido como dança tribal interpretativa e foi criado na década de 70 pela bailarina americana Jamila Salimpour, após intensas pesquisas e viagens através de países orientais, onde entrou em contato com culturas e etnias milenares.
Salimpour começou a desenvolver coreografias que aliavam acessórios das danças folclóricas aos passos característicos da dança do ventre, baseando-se em lendas tradicionais do Oriente para criar uma espécie de dança-teatro.
A esta nova modalidade de dança artística, foi acrescentado um figurino mais condizente com o vestuário tradicional das verdadeiras mulheres orientais. Embora tenha influenciado companhias de dança no mundo inteiro, a nova estética só começou a ser disseminada na década de 90, e atingiu o ápice de popularidade já em 2001, com os grupos americanos Belly Dance Superstars e The Indigo.
Surgida em 2007, a Cia. Xamã foi formada após um grupo praticantes de dança do ventre ter descoberto o trabalho dos dançarinos americanos. Para Paula Braz, uma das coordenadoras da trupe, o que primeiro chamou atenção quando entrou em contato com o tribal foi a característica maleável da dança, que permite que cada grupo adicione suas próprias referências a coreografia que vai executar.
Em maio do ano passado, a companhia foi consolidada e batizada de Cia. Xamã Tribal.

“A dança tribal tem essa liberdade artística. Cada grupo praticante pode montar as coreografias da forma que quiser, usando as referências que quiser. A única restrição é que se respeite a postura do tribal que é bastante rígida, e tem como base a dança do ventre”, aponta.
Entre os princípios básicos da dança tribal, Braz cita o resgate do pensamento que determina o aspecto sagrado presente em todas as coisas da natureza e a ênfase na coletividade entre as participantes do grupo.
Após o contato inicial, as bailarinas mergulharam de cabeça no estudo do tribal ritualístico e arriscaram uma participação em espetáculo de dança do ventre apresentado na Casa da Ribeira.
Em maio do ano passado, a companhia foi consolidada e batizada de Cia. Xamã Tribal. O nome foi escolhido com base no princípio do xamanismo, segundo o qual as pessoas não são indivíduos isolados, mas sim padrões de energia correntes que dependem um do outro para continuar existindo e se perpetuando em constante mudança.
“Este pensamento tem muito a ver com a filosofia do grupo, que é resgatar o aspecto sagrado da dança e da arte como representação simbólica da vida”, aponta Paula Braz.
Desde sua estréia, a companhia já contabiliza apresentações em espaços conhecidos da cidade, como o shopping Orla Sul e a pizzaria Calígula, além de uma participação em um festival nacional de dança em Fortaleza, no qual foi o único grupo representante do estilo tribal.
No último dia 19, as dançarinas da Cia. Xamã Tribal participaram em João Pessoa da Livre Manifestação Cultural Troupiniquim, evento realizado paralelamente a Feira Nacional das Artes (Fenart) que contou com a participação de outros grupos de dança e música da região.
Em julho, as meninas embarcam para o Rio de Janeiro, onde já têm presença confirmada no I Tribal Fest do Brasil, que reunirá trupes do estilo de todos os estados do país.
A realização mais ambiciosa do grupo, porém, está reservada para o segundo semestre de 2008. Em outubro, deve ficar pronta a montagem de
Híbrida, primeiro espetáculo do grupo a contar com uma linha narrativa linear, mais próxima ao teatro convencional.
Com direção geral de Paula Braz e Ellen Paes, direção artística de Rubens Barbosa e direção cênica de Sônia Santos, a peça irá discutir os diferentes aspectos atribuídos a mulher ao longo de sua existência.
“A intenção da peça é discutir a multiplicidade do caráter feminino, uma vez que a mulher pode ser sagrada, profana, caótica, etc. O espetáculo, na verdade, tratará de várias questões, mas o centro será o universo feminino”, explica Paula Braz.
Por enquanto contando com cinco integrantes, a Cia. Xamã Tribal está em processo de formação de seu núcleo de corpo de baile. Quem tiver interesse em participar, basta escrever email para
ciaxamatribal@gmail.com ou ligar para
(84) 8802 3139.