O escritor potiguar Márcio Benjamin anda com motivos para dormir bem, mesmo que suas personagens não consigam. Afinal, ele foi selecionado para participar da coletânea nacional de contos de terror
Noctâmbulos (136 páginas, R$ 19), da Andross Editora, que será lançada no próximo dia 2 de setembro.
O conto
Adormeça, de autoria de Benjamin, é o que abre o livro. A participação aconteceu meio por acaso. “Eu participo de uma comunidade do Orkut, chamada
Escritores de Terror, e, lá, vi um tópico sobre a coletânea. Pelas regras, cada autor poderia mandar até cinco contos. Mandei logo cinco de uma vez. Quando terminou o prazo, o editor entrou em contato, dizendo que um dos contos havia sido selecionado, mas que ia guardar os outros quatro para futuras publicações”, lembra.
De acordo com Márcio Benjamin, a edição é bancada pela editora e cada autor selecionado se compromete a vender 20 exemplares. “É uma maneira de eles garantirem um retorno mínimo da
Fotos: Divulgação
Márcio Benjamin prepara primeiro livro solo para 2008.

edição e também não é nenhum sacrifício para os autores. Afinal, se você não tiver pelo menos 20 amigos que possa adquirir o livro, é melhor se matar”, brinca.
Benjamin sempre se interessou pelo gênero de horror e suspense. “A gente sempre começa a ler por obrigação, na escola. Depois, passei a me interessar por autores do gênero, como Stephen King, Edgar Allan Poe...”, diz.
“Quando comecei a escrever, passei a buscar referências nessa literatura às vezes meio mágica, no realismo fantástico – outro autor que me influenciou bastante foi o Julio Cortazar”, diz.
O conto narra a história de uma menina que se sente assombrada por monstros que viveriam embaixo de s

ua cama. “Minhas histórias geralmente são muito curtas, não consigo passar de duas laudas. A leitura de autores como King me levou a optar sempre por histórias com o fim em aberto, os contos nunca terminam de forma conclusiva”, explica.
Esta não é a primeira coletânea de que Benjamin participa. “Fui selecionado também para a coletânea
Contos para Viagem, da editora Arte Literária, lançado em 2006. Era uma proposta muito interessante: os contos seriam de histórias sobre viagens – claro – e o livro seria distribuído em estações de metrô”, explica.
Jovens Escribas
O escritor, que é advogado e tem 27 anos, faz parte do grupo Jovens Escribas, que edita autores locais. Ele se prepara para lançar o primeiro livro solo,
Deixe que eu conto – crônicas, causos e um pouquinho de sacanagem.
Além de contos, o autor também escreve para teatro, tendo uma parceria com o grupo Ditirambo desde 2004.
“Apesar de aprovado na Lei Djalma Maranhão, o processo de recolhimento do imposto é muito lento, por isso o livro só será lançado no fim do ano que vem”, afirma. “Mas, sem o pessoal do Jovens Escribas, não teria conseguido. Eu me peguei com eles, principalmente com Patrício Jr. e Carlos Fialho, e se não fosse pelo auxílio que eles me prestaram, talvez o projeto não tivesse saído. A parte chata, de adequar à lei de incentivo e montar o projeto, foi toda feita por eles”, revela.
O autor reclama da dificuldade para se conseguir patrocínio. “É impressionante como o empresário não precisa gastar nada, tem o nome da empresa no livro, mas mesmo assim se recusa a patrocinar via lei. Há uma rejeição muito grande para patrocinar literatura. Primeiro, muita gente estranhava o título do livro, por causa da palavra ‘sacanagem’. E todo mundo pedia para dar uma olhadinha, mas eu sempre desconversava, porque queria evitar que algum patrocinador pedisse mudanças no conteúdo. Por fim, consegui o patrocínio pelo escritório de advocacia onde trabalho”, diz.