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Há 80 anos, Lampião chegava a Mossoró

Invasão frustrada à cidade tornou-se referência obrigatória em estudos sobre a vida do bandido que ficou conhecido como o Rei do Cangaço

Por Alex de Souza
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Ataque de Lampião a Mossoró tornou-se um dos episódios mais estudados do cangaço
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Lampião só reconheceu ter sofrido uma única derrota em vida: em 13 de junho de 1927, quando foi posto para correr de Mossoró. "Foi quando se viu que ele não era invencível", afirma o pesquisador Kydelmir Dantas, presidente da Associação Brasileira de Estudos sobre o Cangaço - Sbec. Tanto que, após o episódio, o cangaceiro tomou um chá de sumiço. "Ele desaparece de qualquer registro histórico por um ano. Lampião também deixa de atuar nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Só em 28 que se têm notícias dele, pelos lados do Raso da Catarina, na Bahia."

A passagem de Virgulino Ferreira pela Capital do Oeste potiguar tornou-se capítulo obrigatório em qualquer obra sobre o tema. Pelo menos as que se prezem. Entre a enxurrada de publicações sobre o episódio, é possível apontar pelo menos quatro estudos obrigatórios. "O primeiro deles é Lampião em Mossoró, de 1956, escrito pelo historiador Raimundo Nonato. Este é totalmente documental e até meio chato para quem não é pesquisador. Outras obras importantes são: A Marcha de Lampião, de Aldo Fernandes; Nas Garras de Lampião, do coronel Antônio Gurgel, que foi refém do bando, e o historiador Raimundo Soares de Brito; e, por último, Lampião e o Rio Grande do Norte - A História da Grande Jornada, do juiz Sérgio Augusto de Souza Dantas", enumera Dantas.

O ataque
De acordo com esses estudos, da entrada de Lampião no território potiguar até o assalto a Mossoró, o bando gastou cerca de três dias. Da noite de 9 para 10 de junho, os cangaceiros entraram em território potiguar, por Luís Gomes. No dia 12, chegaram ao povoado de São Sebastião, hoje a cidade de Dix-sept Rosado. De lá, foi enviado um telegrama para Mossoró, avisando sobre a chegada do bandido. A cidade, que estava em festa, entrou em desespero. O prefeito organizou então um êxodo, montando as trincheiras para recepcionar os invasores.

"Esvaziar a cidade foi uma grande estratégia do prefeito Rodolfo Fernandes. Assim, quem ficou para o combate não ficou preocupado com a própria família, que estaria em casa", explica Kydelmir Dantas. O problema foi que o raiar do dia acabou com o ânimo de muitos combatentes, que abandonaram as trincheiras. "Caso o ataque tivesse sido no dia 12, certamente Lampião teria encontrado a cidade bem mais protegida. E a história poderia ser outra", conjectura.

No dia 13, ao chegar no Sítio Saco, é enviado o primeiro bilhete, pedindo 400 contos de réis para poupar a cidade. Com a negativa, vem o segundo bilhete ameaçador e a resposta: Lampião podia vir que o que tinha separado para ele era bala.

À tarde, por volta das 16h, começou o ataque. Lampião dividiu o bando em três grupos. Um atacou a casa do prefeito; outro a estação ferroviária; o terceiro rumou para o cemitério. Com a resistência armada, o bando recua cerca de uma hora após o início do conflito. Ficam para trás Colchete, morto, e Jararaca, ferido com peito. Este último seria assassinado no dia seguinte e virou elemento de culto pelo povo da cidade.
 

 
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