Cedida
Aristeu Araújo, jornalista potiguar radicado no Rio, é um dos editores da Moviola.
Saiba mais
Para marcar a primeira edição da revista eletrônica
Moviola, a equipe resolveu entrevistar, com câmera e tudo, o cineasta Eduardo Coutinho, principal nome no cinema documentário brasileiro.
Como Coutinho se acostumou a estar sempre por trás da câmera – e é mestre no ofício da entrevista -, a tarefa se constituiu num desafio.
“Cara, eu tava morrendo de medo”, diz o potiguar Aristeu Araújo. “Meu problema não era nem entrevistá-lo... Mas era entrevistá-lo com uma câmera. Isso me preocupava (risos). Mas acabou que foi muito tranqüilo. O Coutinho se mostrou muito receptivo e deu uma entrevista muito interessante. Saímos de lá com quase uma hora de material bruto. Editamos e o resultado está na revista”, diz.
“O mais interessante de entrevistar Coutinho foi vê-lo na situação inversa, de entrevistado. Mas como ele tem muita consciência do ‘entrevistar’, ele sabe como melhor agir. É que o cinema dele é exatamente sobre isso, né? O tal do efeito câmera. Aliás, o filme novo dele,
Jogo de Cena, é fabuloso”, avalia.
Araújo considera que o cineasta também entrou no jogo da entrevista. “Ele chegou a falar sobre isso, na entrevista, sobre como a câmera faz as pessoas entrarem num jogo, porque o ‘efeito câmera’ faz com que os entrevistados encenem um personagem de si próprio. É natural, porque o entrevistado tem consciência que sua imagem está sendo registrada para a ‘eternidade’, e isso o obriga a fazer essa melhor encenação possível de si. O filme novo dele é também sobre isso”, explica.
Em
Jogo de Cena, Coutinho mistura depoimentos de personagens reais e de atrizes que interpretam entrevistadas do documentário. “A montagem é feita de tal forma que lá pra frente o espectador começa a se perguntar quem é real e quem não é. E, melhor ainda, o que é real e o que não é dentro do próprio cinema documentário”, considera.
Pólo
Araújo considera estar no Rio de Janeiro uma vantagem para a publicação, já que a cidade é um pólo produtor de cinema. “Se você quer entrevistar o Eduardo Coutinho, por exemplo, é só ligar pro cara e marcar com ele. Por outro lado, isso te exige muito mais, por que há muito mais conhecimento girando na cidade. Então, não adianta você fazer um site sobre cinema e falar bobagens, coisas óbvias. Aí você não sobrevive, porque outros bem mais preparados estarão fazendo o trabalho que você deveria estar fazendo”, conclui.
Não há tags relacionadas.