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Salto agulha com muito charme e elegância

A jornalista e consultora de estilo Gladis Vivani conversou com o Nominuto.com sobre o universo fashion da moda, o lançamento da sua revista e seus novos projetos.

Por Débora Ramos
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Foto: Elpídio Júnior
A comunicação não-verbal implícita no ato de se vestir certamente foi uma das razões que cativou a atenção da jornalista Gladis Vivane.
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Existe algo na moda que fascina e interessa as pessoas. Não é a roupa em si, é a possibilidade de dizer algo com as peças que se usa; a possibilidade de passar uma mensagem, sem que tal ato implique a troca de palavras. A comunicação não-verbal implícita no ato de se vestir certamente foi uma das razões que cativou a atenção da jornalista Gladis Vivane Campos Xavier para as peculiaridades deste universo, tão reverenciado por alguns e incompreendido por outros tantos.

Ela, que acaba de lançar sua própria publicação de moda, a revista Salto Agulha, defende a mudança de paradigma no que diz respeito à atual abordagem da moda como conteúdo editorial, propondo o desvencilhamento da fórmula batida que prega a frivolidade, e sugerindo um tratamento criativo, no qual o assunto possa interagir com temas como cultura, arte, literatura e cinema.

Atuando neste segmento há aproximadamente dois anos, Gladis Vivane conseguiu encontrar uma maneira de explorar o complexo e diminuto mercado de moda em Natal. Atualmente, trabalha como consultora de estilo, ajudando as pessoas a renovar o guarda roupa; toca o blog Salto Agulha e presta assessoria para lojas da cidade.

Confira novidades da moda no blog Salto Agulha

O trabalho desenvolvido, segundo conta, é baseado em uma única premissa: a criatividade. “Passei muito tempo observando que as empresas que trabalhavam com este segmento dão tratamento muito superficial à moda. Meu trabalho, entretanto, tem o objetivo de cativar o interesse das pessoas para o assunto, por meio de abordagens pouco convencionais”, resume Gladis.
Foto: Elpídio Júnior
"Meu trabalho, entretanto, tem o objetivo de cativar o interesse das pessoas para o assunto, por meio de abordagens pouco convencionais", resume Gladis.
Ainda criança, despertou o interesse pela moda, influenciada pela avó Adeílda. Com ela, aliás, descobriu ainda o mundo lúdico das artes, arquitetura, decoração e cinema. A avó Adeílda, que também foi professora de Gladis, era costureira e foi a principal incentivadora quando a neta começou a desenvolver os primeiros modelitos para as suas bonecas Barbie.

Mais tarde, quando já estava na hora de pensar em fazer uma faculdade, Gladis optou por estudar jornalismo na UFRN. “Como gostava muito de escrever e de me comunicar, foi meio que natural para mim. Cheguei a considerar cursar uma faculdade de moda, mas como na época não existia nenhuma por aqui, deixei por isso mesmo”, conta. Durante o período na universidade, aprimorou o interesse pela escrita e desenvolveu o gosto pelas reportagens.

Ao final do curso superior, trilhou o caminho clássico dos recém-formados e trabalhou em diversas redações de Natal, de impresso à televisão, desempenhando funções como a de repórter e pauteira. Depois de passar um período trabalhando, começou a ter dúvidas acerca do seu futuro profissional. “Ficava pensando se era aquilo mesmo que eu deveria estar fazendo. Não é que eu não gostava, eu até me interessava pelo trabalho, mas depois de algum tempo começava a achar as coisas entediantes” conta.

Foto: Elpídio Júnior
Depois de muito pensar, Gladis pediu demissão do emprego e decidiu estudar moda.
Estes questionamentos acabaram por levá-la a considerar novos caminhos. Depois de muito pensar, a decisão foi tomada. Gladis pediu demissão do emprego na TV Ponta Negra e decidiu estudar moda. A partir deste momento começou a procurar, tanto no Brasil quanto fora, cursos pelos quais se interessava. Primeiramente pensou em se matricular no Fashion Institute of Technologie (FIT), uma escola de arte e negócios em Nova York pela qual passaram nomes como Nina Garcia (editora da Elle Magazine) e os estilistas Calvin Klein e Carolina Herrera.

A ideia foi descartada quando, ao procurar uma agência de intercâmbio, teve acesso a um material que listava cursos disponíveis na Itália. “Como eu já estudava italiano e me interessava pela cultura de lá, acabei decidindo pela Itália”, disse. A internet, conta ela, também foi uma aliada no processo de escolha do curso, observa Gladis. “Pela rede conversei com pessoas que estavam estudando ou haviam estudado nas escolas que eu estava analisando. Essa troca de opiniões me ajudou bastante a fazer a escolha”, disse.

Pouco tempo depois, partiu rumo à terra de Valentino, Cavalli e outros tantos nomes consagrados da moda, com sonhos de conseguir a tão desejada realização profissional. “Quando chegou a hora de largar o emprego para viajar, já tinha o pressentimento de que muita coisa ia mudar na minha vida, eu simplesmente sabia que quando voltasse, não continuaria a fazer as mesmas coisas de antes”, revela.

O curso de fashion design com ênfase em comunicação na renomada escola ART.E, em Firenze, durou três meses. Apesar do tempo relativamente curto, Gladis conta que a experiência valeu por anos de vivência. “A cidade é como um museu a céu aberto e os europeus parecem respirar moda, só por isso a experiência já foi muito válida”, comenta.

Mesmo com a rotina corrida, que compreendia um enorme volume de aulas, tanto pela manhã quanto pela tarde, ela aproveitava os finais de semana para visitar exposições sobre diversos temas e fazer pequenas viagens às demais cidades da Europa. Entre o roteiro de visitas estavam Milão, Veneza, Verona e Roma.
Foto: Elpídio Júnior
A experiência de viver e estudar em um dos centros mais tradicionais da moda mundial, segundo observa Gladis, foi extremamente inspiradora.

A experiência de viver e estudar em um dos centros mais tradicionais da moda mundial, segundo observa Gladis, foi extremamente inspiradora. “A Itália, e a Europa como um todo, exercem tamanha influencia nas pessoas que, mesmo quem não está interessado em moda, acaba prestando atenção no assunto, de uma maneira ou de outra. Pode ser pela enorme quantidade de exposições que abordam a temática, ou até mesmo pelo próprio estilo das pessoas, que normalmente são criativos e diferentes do que os vistos por aqui”.

Como resultados deste valioso período restaram, além das inúmeras histórias para contar, uma grande quantidade de conteúdo jornalístico, produzido por ela para o seu blog e para a revista Salto Agulha.

 Influências e referências
Como parte de seu trabalho compreende a leitura de inúmeros sites e blogs que abordam a moda e o estilo, Gladis acompanha de perto a atual ebulição de veículos "especializados" em moda na rede mundial de computadores. Sobre o assunto, a jornalista, que também é blogueira, comenta: "Acho que a internet contribuiu para a banalização do assunto. Hoje em dia qualquer pessoa, especializada ou não, tem um blog de moda. Contudo isso não me preocupa muito, acho que quando a algo não é bom o público acaba repelindo, e a coisa acaba morrendo uma hora ou outra".

Foto: Elpídio Júnior
"Sou daquele tipo de pessoa que compra mais livros do que pode ler", brinca.
Entre os sites preferidos e os recomendados, estão os blogs de street style (estilo de rua) The Sartorialist, Face Hunter e Garance Doré, todos estrangeiros. Entre os nacionais, os favoritos são o da produtora paulista Julia Petit, e o Oficina de Estilo. "A Garance Doré, aliás, é um ícone de estilo para mim. Ela é um exemplo de elegância e talento", diz sobre a francesa que é fotografa e ilustradora da Vogue francesa.

Apesar de grande quantidade das suas leituras diárias envolver a moda ou algum assunto relacionado, engana-se quem acha que nas prateleiras de Gladis não há espaço para os romances literários. Gabriel Garcia Márquez, José Saramago e Bukowisk são apenas alguns dos autores eleitos pela jornalista, que confessa não ter tanto tempo para dedicar à literatura quanto gostaria. “Sou daquele tipo de pessoa que compra mais livros do que pode ler”, brinca.

O cinema, porém, é algo que ocupa grande parte da sua rotina. "Atualmente posso dizer que assistir filmes em casa ou no cinema é a minha ativiade de lazer mais recorrente", confessa. Os diretores mais admirados são Pedro Almodóvar, Quentin Tarantino e Tim Burton, todos eles detentores de uma estéticas distintas e bastante marcantes. "Gosto também de filmes de terror, apesar do medo", diz, achando graça da própria insegurança.

No universo da moda, as personalidades mais admiradas por Gladis são a estilista inglesa Vivienne Westwood, a editora Diana Vreeland e a stylist Giovanna Battaglia, da Vogue Homem italiana. "Admiro elas pois são pessoas talentosas e determinadas", conta. "Diana Vreeland é uma inspiração de muitos anos, como vocês podem ver na primeira edição da Salto Agulha, que traz um ensaio inspirado nela".


Revista Salto Agulha
Projeto mais recente da jornalista Gladis Vivane, a revista Salto Agulha, lançada no último dia 14 de julho, representa a concretização de um sonho relativamente antigo.
“Queria ter feito a revista como projeto de conclusão do curso de jornalismo, em 2006, mas devido à problemas como falta de disponibilidade de tempo acabei adaptando a idéia e fazendo uma revista eletrônica”, comenta.
Foto: Elpídio Júnior
Para Gladis, a revista Salto Agulha representa a concretização de um sonho relativamente antigo.

Quatro anos depois, o projeto de lançar uma publicação impressa foi alcançado. Enquadrada em na Lei de Incentivo à Cultura Djalma Maranhão, a revista é, segundo a jornalista, a primeira publicação de moda o país a ser desenvolvida com benefícios de lei de incentivo. De acordo com ela, um dos fatores decisivos para que o projeto fosse contemplado pelo edital foi o fato dele abordar a moda de maneira diferente dos demais veículos.

“Propomos a interlocução de temas como cultura, arte, literatura e cinema com os assuntos relacionados à moda e ao estilo. No nosso projeto, falamos da história da arte e anexamos estudos sobre comunicação não-verbal e outros assuntos. Enfim, acho que foi a maneira que encontramos de mostrar que a Salto Agulha não tinha pretensão de ser apenas mais uma revista de moda como as que já são vistas por aqui, mas sim uma revista que desse uma nova abordagem ao assunto, mais inteligente e informativa”, resume.

Durante o processo de pesquisa e elaboração do projeto, Gladis encontrou no seu namorado um grande aliado. Por já ter conseguido enquadrar mais de um projeto em leis de incentivo á cultura, o músico Rafael Bender foi de grande ajuda na elaboração do plano da revista de Gladis. Os tramites burocráticos e os cálculos de impostos todos ficaram à cargo dele, bem como a produção executiva da publicação.
Foto: Elpídio Júnior
Gladis se inspirou em algumas publicações brasileiras para a criação do conceito da Salto Agulha.

Para a criação do conceito da Salto Agulha, bem como a escolha das pautas e do tema central da primeira edição – pin ups – Gladis se inspirou em algumas publicações brasileiras, entre elas a revista Key da jornalista Érika Palomino, o periódico de design Zupi e a Fashion Forward Mag. Esta última foi a maior influência tanto no que diz respeito ao formato quanto no que concerne à elaboração do conteúdo, explica ela.

“A Fashion Foward Mag é uma revista incrível, que aborda a moda de uma maneira muito inusitada”, comenta. “Os criadores desta publicação são responsáveis por desenvolver semanas de moda no mundo todo, além disso eles também trabalham na criação de diversas modalidades de ações que envolvem o tema moda. Para mim, eles são uma grande inspiração, representam onde eu quero chegar com a Salto agulha”, diz.

Segundo ela, apesar de todas as dificuldades que envolveram o processo de criação da revista, os resultados foram mais do que satisfatórios e os frutos do trabalho duro de toda a equipe envolvida já está sendo reconhecido. "Logo depois de lançamento já obtivemos respostas positivas. Alguns profissionais que trabalharam na revista, inclusive, já estão conseguindo outros trabalhos, como é o caso da nossa diagramadora, Amanda Duarte", diz Gladis.

Com o lançamento da primeira edição da revista, o planejamento para o próximo exemplar já teve início. A edição, assim como a primeira, vai seguir um tema, que ainda não está definido. De acordo com Gladis, a próxima Salto Agulha vai se diferenciar da primeira em ao menos um aspecto: ela terá a presença de anúncios. “Vamos tentar enquadrar a segunda edição em outra modalidade de lei, uma que possibilite a revista seja com investimentos do governo e também da iniciativa privada. Assim, vamos poder vender anúncios”, conta Gladis.

Projetos

Além do lançamento da segunda edição da Revista Salto Agulha, Gladis revela que ainda tem algumas cartas na manga, no que concerne aos seus planos para o futuro. Um deles é o lançamento de sua própria coleção de roupas. “Já estou pensando nisso e inclusive já tenho alguns tecidos para as peças, o próximo passo é encontrar uma boa costureira”, revela.

Sobre o conceito desta linha de roupas, Gladis não adiantou nenhuma informação. Ela disse, entretanto, que todas as coisas que desenvolve têm como prioridade agradar apenas uma pessoa em especial: ela mesma, Portanto, já é de se esperar que sua coleção sigua o mesmo caminho.

Outro projeto diz respeito à ampliação da sua empresa, que atualmente não está conseguindo dar conta de todas as ofertas que vem recebendo de clientes e empresas. “A demanda cresceu consideravelmente e, para não precisar dizer não aos clientes, estou pensando em contratar pessoas para formar uma equipe”, comenta.

Quanto ao blog, a jornalista adianta que seguirá atualizando com notícias e informações locais e gerais sobre moda. Só devemos esperar, portanto, que o salto agulha de Gladis siga aguentando todos os terrenos e andanças pelas quais a moça decida se aventurar.

 

 
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