À frente da Fundação José Augusto, órgão responsável por gerir as políticas culturais do Governo do Estado, o poeta Crispiniano Neto vem sentindo na pele o peso da burocracia e de um modelo administrativo falido. Isso sem contar as cobranças vindas da classe artística, que não poupa críticas, enquanto aguarda ações concretas.
Vlademir Alexandre
Crispiniano Neto, diretor-geral da FJA, priorizou a criação das câmaras setoriais como política cultural para o RN

Para tentar equacionar o problema, o diretor-geral da
FJA esolveu apostar no diálogo com as diferentes áreas de atuação no ramo cultural e num modelo de gestão semelhante ao utilizado pelo Ministério da Cultura. São as chamadas câmaras setoriais, órgãos consultivos formados por artistas e coordenados por funcionários da Fundação.
“Quando cheguei na Fundação, o pessoal pensou que eu traria um pacote pronto, só para ser colocado em prática. Mas, preferi não fazer isso, porque não adianta muito. Eu tenho uma visão do que é cultura, mas não vou ficar aqui para sempre. Resolvemos propor um planejamento participativo para o setor”, explica Crispiniano Neto.
Para fazer o modelo funcionar, era preciso articular dois grupos. “Um é o de funcionários da Fundação José Augusto, que recebem por isso e, portanto tem obrigação de trabalhar. O outro é o de ‘fazedores de cultura’, a chamada cadeia produtiva do setor, que precisa ser sensibilizada sobre a necessidade de participar”, diz.
“Fizemos então um planejamento com aqueles que ocupam cargos de confiança na instituição, uma vez que eles têm deveres de gestores. Nestas reuniões traçamos linhas gerais e fomos ‘afunilando’ as necessidades básicas em cada setor. Essas necessidades são determinadas pelo conceito de cidadania cultural, que é o fazer cultural aliado à democracia e à ética – pensamos, então, em como traduzir esses valores para cada setor”, avalia.
“É aí que entra a figura da câmara setorial. É nela que é posta em prática essa cidadania cultural. A câmara segue o modelo existente no Ministério da Cultura. São órgãos consultivos, que servem de intersecção entre a sociedade e o Estado. Funciona como um fórum, com acompanhamento de um ou dois funcionários da FJA, que reúne os artistas para que eles definam qual política deve ser aplicada em cada setor”, arremata o diretor-geral da FJA.
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